Psicanálise e Quadrinhos
- psicologiapersonal1
- 5 de nov. de 2015
- 4 min de leitura
Universidade de Brasília – UnB
Disciplina: Psicologia da Personalidade I
Professora: Elisa Walleska Kruger Costa
Aluna: Marina Nunes Pessôa
Turma : A
Matrícula: 13/0014753
Psicanálise e Quadrinhos: Uma análise sob a luz de Freud sobre Jean Grey, a Fênix

A vida imita a arte, e a arte imita a vida. Essa frase pode ser muito bem encaixada em uma história em quadrinhos. Pois pense bem, o leitor acompanha a evolução de um certo personagem num certo período e o vemos crescer com todas os seus desafios e conquistas. Nos identificamos com eles, nos emocionamos com eles, vibramos por eles e crescemos junto com eles. Cada personagem é tão complexo que até parece real.
E de certa forma, este personagem é real: ele enfrenta problemas reais e crises que poderiam acontecer com qualquer pessoa, passa por situações que todos nós já passamos, pensa e se comporta de maneira única, e experiencia seus sentimentos de um jeito só dele. Um personagem de histórias em quadrinhos hoje é tridimensional, ele não pertence mais a um papel: ele é alguém como nós, com um início, um meio e um fim.
Sendo um personagem alguém tão complexo e único, não importando o que ou quem ele seja, será possível aplicar conceitos da Psicologia para analisar seu comportamento e entender como ele pensa? Tentar compreender o quanto seu passado interfere em seu presente, investigar segredos obscuros e dejesos proibídos nos recantes mais sombrios e profundos da mente... No intuito de responder tais perguntas, será aqui analisado de um ponto de vista Freudiano a personagem Jean Grey, popular super-heroína das histórias em quadrinhos dos X-Men, explicando um pouco sobre a teoria Psicanalítica e aplicando-a neste estudo de caso.
Comecemos por falar um pouco sobre a personagem: Jean Grey, no universo dos quadrinhos, é uma mutante com poderes de telecinese. Sempre muito calma e racional, ela é atenciosa e gentil com todos. Nascida e criada na cidade de Nova York, em um núcleo familiar simples, sem irmãos. Desenvolveu sua telecinese e telepatia aos 10 anos quando observou sua amiga morrer atropelada e ela sentiu a sua dor através de seus poderes. Com esse trauma, Jean começou a se isolar de todos e a entrar num quadro grave de depressão, além de ter descontrole sobre o que poderia fazer com a telecinese.
Aos 11 anos, seus pais a levaram para tratar-se com o Professor Charles Xavier, que criou uma série de barreiras psíquicas a fim de evitar que ela usasse seus poderes telepáticos até estar madura o suficiente para controlá-los. Ainda assim, ele a ensinou, pouco a pouco a controlar suas habilidades telecinéticas. A parte da trama que é importante para essa análise é o desenvolvimento de uma personalidade de Jean conhecida com Fênix Negra, resultado da barreiras psíquicas criadas. Essa personalidade libera toda a agressividade e os desejos que foram reprimidos na mente da personagem, chegando ao ponto de cometer homicídios e torturar outros enquanto está nesse estado, externalizando todo o seu sofrimento psíquico.
Analisando pelo ponto de vista de Sigmund Freud, podemos compreender melhor o processo pelo qual a personagem passara até o desenvolvimento dessa personalidade alternativa. Poderíamos compreender que as barreiras mentais implementadas pelo professor Xavier funcionariam como mecanismos de defesa – sendo estes processos psíquicos inconscientes que aliviam o ego do estado de tensão psíquica entre o id, o superego e as pressões que emanam da realidade externa. Neste sentido, o mecanismo de defesa reprime algo que a pessoa não consegue lidar conscientemente, prendendo-o no insconciente.
O inconsciente para Freud não só é referente ao material não disponível à consciência, mas também é um receptáculo de lembranças traumáticas reprimidas e um reservatório de impulsos que constituem fonte de ansiedade por serem socialmente ou eticamente inaceitáveis para próprio o indivíduo. Neste receptáculo de desejos, frustrações e traumas reprimidos, encontra-se o id, a instância psíquica onde se localizam as pulsões de vida e de morte, regido pelo princípio que a Psiquê visa apenas o que é prazeroso.
Neste ponto, podemos fazer algumas ligações e concluir: no inconsciente de Jean, o seu id estava sendo reprimido. O que regia sua parte consciente era o superego – a instância psíquica que representa as normas e valores sociais internalizados – já que o ego, que funciona como um mediador entre o id e superego, não poderia atuar com a repressão e quase inexistência do id. É possível notar essa supremacia do superego no comportamento de Jean Grey tanto nos quadrinhos quanto nas telonas (antes do desenvolvimento da Fênix Negra), quando todas as problemáticas da personagem tendem a ter mais um teor de preocupação com o outro e seu senso de justiça do que problemáticas sobre o “eu”.
Personagens de cinema, séries de TV, histórias em quadrinhos, livros... Todos representam a realidade. Um personagem complexo consegue tocar o leitor ou expectador de maneiras únicas, sendo por um processo de identificação ou total rejeição de sua personalidade. O caso dessa personagem, apesar de fictício e exagerado na questão de ser uma história sobre super-heróis, poderia muito bem acontecer com alguém na vida real, com pessoas comuns que criam certas barreiras, os tais mecanismos de defesa, para se proteger. A questão do quanto a arte imita a vida continua, e quanto mais real, quanto mais aquele personagem nos comover, mais humano este se torna.
Referências
Marvel Comics Database. (2009). Jean Grey (Earth-616) [Data File]. Retrieved from http://marvel.wikia.com/wiki/Jean_Grey_(Earth-616)
McLeod, S. A. (2013). Sigmund Freud. Retrieved from www.simplypsychology.org/Sigmund-Freud.html
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