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Psicanálise: Algumas particularidades encontradas na prática analítica

  • psicologiapersonal1
  • 5 de nov. de 2015
  • 3 min de leitura

Universidade de Brasília – UnB

Instituto de Psicologia – IP

Departamento de Psicologia Clínica

Psicologia da Personalidade 1 –Profª. Elisa Walleska

Aluna: Nayara de Farias Souza – Matrícula: 12/0172208

Introdução

Freud, em seus escritos, nos relatou muitas das suas experiências antes e depois do surgimento da psicanálise. No presente trabalho exponho algumas peculiaridades encontradas durante a prática analítica, como o fato de algumas pessoas não serem capazes de suportar o próprio sucesso ou de outras não serem capazes de suportar uma situação desagradável momentânea, ainda que reconheçam as vantagens posteriores, pelo fato de terem sofrido algo tão desagradável em um determinado momento da vida (em geral na infância) a ponto de considerarem uma injustiça qualquer outra situação desagradável que possa vir a surgir ao longo da vida.

São relatos importantes e muito diferentes do que costumamos ver nos noticiários. Vale a pena refletir a respeito e entender que por trás de qualquer comportamento anormal de um indivíduo em sociedade é fruto de uma motivação, e que, de um modo geral, tem uma influência de acontecimentos de seu passado.



As exceções


Essas exceções se referem a algumas pessoas que não aceitam ter que passar por certas situações de dificuldade a partir de um certo momento em suas vidas.


Quando assim requeremos do doente uma momentânea renúncia a uma satisfação de prazer, um sacrifício, a disposição de temporariamente aceitar o sofrer em vista de um final melhor, ou apenas a decisão de submeter-se a uma necessidade que vale para todos, deparamos com certos indivíduos que se opõem a tal exigência por um motivo especial. Dizem que já sofreram e renunciaram o bastante, que têm direito a serem poupados de outras requisições, que não se sujeitam mais a qualquer necessidade desagradável, pois são exceções e pretendem continuar a sê-lo (Freud. 1916. p. 364).


É comum encontrarmos em sociedade pessoas com algumas características deste tipo. Pessoas que, por exemplo, não aceitam críticas ou não têm a capacidade de esperar e passar por uma etapa desconfortável na vida, ainda que saibam que serão recompensadas ou que terão um retorno positivo futuramente.





Os que fracassam no triunfo


Neste texto de Freud são relatados alguns exemplos de pessoas com um comportamento peculiar, todos com uma característica em comum: a incapacidade de se aceitar um triunfo, uma conquista.


Tanto maior será a surpresa, mesmo a confusão, quando o médico descobre que às vezes as pessoas adoecem justamente quando veio a se realizar um desejo profundamente arraigado e há muito tempo nutrido. É como se elas não aguentassem a sua felicidade, pois não há como questionar a relação causal entre o sucesso e a doença (Freud. 1916. 197).


Há a tese psicanalítica de que o neurótico adoece devido à frustração, mas algumas experiências na prática psicanalítica mostraram que é possível e que há casos em que ocorre o contrário. A pessoa adoece justamente por não ter avido frustação, por conseguirem realizar um desejo há muito tempo nutrido. Elas não conseguem suportar a própria felicidade.

Também é possível encontrar casos na sociedade que podem se relacionar com essa teoria. Pessoas muito famosas ou empresários de sucesso que frequentemente aparecem na mídia por terem feito alguma besteira. Lendo esses textos é possível fazer essas comparações, as vezes pode-se pensar que as atitudes fracassadas destas pessoas de sucesso são propositais, de fato é como se elas não estivessem satisfeitas com os próprios triunfos, como se sentissem a necessidade de um fracasso.





Os criminosos por sentimento de culpa


Aqui são relatados casos interessantes de pessoas que optam por praticar atos criminosos devido a um sentimento de culpa já existente. Não é como estamos acostumados a ver ou perceber em quem pratica esses atos, pessoas que se sentem culpadas depois de tê-lo praticado que, aparentemente, nos parece até mais óbvio.


O trabalho analítico trouxe então o resultado surpreendente de que tais ações foram realizadas sobretudo porque eram proibidas e porque sua execução se ligava a um aliviamento psíquico para o malfeitor. Ele sofria de uma opressiva consciência de culpa, de origem desconhecida, e após cometer um delito essa pressão diminuía. Ao menos a consciência de culpa achava alguma guarida (Freud. 1916. 214).



Talvez seja possível comparar essas características com as de alguns indivíduos em sociedade, como pessoas que permanecem no local onde foi praticado o ato criminoso, ou até mesmo as que se entregam para a polícia em seguida. Se analisados os casos, talvez seja encontrada alguma evidência dessas características em alguns deles.

Referência bibliográfica

Freud, S. Introdução ao narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos. São Paulo: editora schwarcz ltda., 2000. p. 225. Vol. 12.


 
 
 

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