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Jung e os tipos psicológicos

  • Elisa Campestrini
  • 5 de nov. de 2015
  • 7 min de leitura

Universidade de Brasília

Disciplina: Psicologia da Personalidade Turma: B

Professora: Elisa Walleska Krüger Costa

Aluno: Elisa Campestrini do Prado Matrícula: 13/0108634

1. Introdução

Carl Gustav Jung nasceu em 1875 na Suíça e faleceu em 1961, após escrever muitos livros. Se formou em medicina e foi psiquiatra e psicanalista, fundador da psicologia analítica. Foi amigo de Freud por muito tempo, mas em 1912 seus conceitos passaram a divergir e acabou-se rompendo e criando sua própria abordagem, a qual guardou profundas raízes com a psicanálise e o conceito de inconsciente que Freud e alguns autores antes dele chegaram a desenvolver. Este rompimento levou Jung a um processo de crise muito profundo, mas também muito produtivo.

Em seu trabalho, ele se dedicou a desenvolver relações entre mitos e tipos psicológicos, e observar como os mitos influenciavam a vida de seus pacientes por meio de símbolos, que eram como pistas para acessar o inconsciente. Viajou muito para conhecer outras culturas, e estabelecer pontes de relação entre ocidente e oriente, pois para ele todos os seres estariam conectados por um grande oceano de informações compartilhadas. Este oceano foi denominado por Jung como Inconsciente Coletivo e dentro de cada indivíduo existiria o Inconsciente Individual. Este último possuiria sentimentos, pensamentos e recordações que condicionavam cada indivíduo, até mesmo na sua forma de simbolizar. Nos sonhos o inconsciente se manifesta com liberdade por meio de símbolos. O inconsciente coletivo seria formado por arquétipos primordiais e elementos culturais como os mitos. Além de Jung, Theodore Flournoy pesquisou a função mitopoética (a capacidade do inconsciente de criar histórias, contos, mitos e personagens).

Jung em 1921, em sua obra "Tipos Psicológicos", diferenciou os estágios psicológicos que seriam divididos de várias formas até o momento em que o paciente integraria o inconsciente coletivo com o inconsciente individual e se daria assim o estado de individualização, a totalidade em si mesmo. Uma personalidade seria dividida primeiramente em duas atitudes: Introversão e Extroversão, onde as duas habitariam o indivíduo mas uma se alocaria no inconsciente e a outra no consciente. A segunda maneira de dividir seria em funções psíquicas: Irracionais (sensação, intuição) e Racionais (pensamento, sentimento). E além disso, haveriam os conceitos de função principal, auxiliar e inferior.

2. Tipos psicológicos

Atitudes

Extroversão: As pessoas que tem ênfase na energia externa. Voltam sua atenção para coisas e pessoas e fatos mais do que para si. Suscetíveis ao ambiente externo, tem facilidade para se estabelecer no mundo e caminhar com ele. Preferem viver a vida primeiramente e depois pensar nela se for necessário e então voltar à ação novamente. Sendo mais generalistas do que especialistas ficam na superfície dos assuntos. Passam mais tempo sendo ativos do que passivos nas suas atitudes perante a vida em geral. Aqui a energia psíquica flui para fora em direção ao mundo. Podem se dedicar exageradamente às obrigações e exigências externas. Acabam descarregando as emoções à medida que elas chegam, se tornando impulsivos e expansivos.

Introversão: Os introvertidos orientam-se por fatores subjetivos, sua atenção é focada para seu mundo interno onde se dá seu processamento de impressões, pensamentos e emoções. Estes analisam a vida antes de vivê-la e depois voltam a analisar. Podem ser um pouco indecisos ou hesitantes por isso. Aprendem melhor lendo o tema do que tendo aulas e gostam mais de ouvir que de falar. Possuem uma atitude questionadora e reservada, protegendo assim seu espaço interno das exigências externas. Guardam suas emoções e apesar de serem apaixonados são discretos por serem internos. Aqui a energia é extraída do mundo.

Funções psíquicas

Irracionais (funções de percepção): É a maneira pela qual uma pessoa prefere receber informações do meio que está, para que assim possa processá-las e agir. Há duas formas de funções irracionais, a sensação e a intuição.

A primeira se dá pelos sentidos, não utilizando a imaginação, as pessoas com ênfase nesta são práticas e realistas, preferem tudo que é concreto e objetivo e preferem ver as partes ao invés do todo. Se sentem satisfeitos com rotinas diárias. Vivem a vida para buscar estimulação de seus sentidos, estando assim sempre cientes do ambiente ao seu redor, acabam sendo por vezes dependentes deste ambiente físico. Possuem rápida percepção sendo muito observadores e imitativos. Sua vida é baseada no aqui e agora, não se preocupando com implicações futuras.

A outra maneira de receber informações é a intuição. A busca do significado, da essência de tudo e de suas possibilidades futuras. Os intuitivos somente aceitam perceber os sentidos quando estão relacionados à inspiração do momento. Precisam compreender o todo antes de qualquer coisa, gostam mais de planejar do que executar e, por serem muito imaginativos, são inovadores e pioneiros no que fazem. Não se cansam facilmente pois possuem um forte desejo de se agarrar às oportunidades e possibilidades. Preferem iniciar projetos do que concluí-los, faltando-lhes persistência.

Racionais (funções de julgamento): Aquelas funções que determinam o posicionamento perante uma tomada de decisão, como a pessoa prefere avaliar uma informação recebida do meio e tomar uma decisão. São duas as possibilidades, pelo pensamento ou pelo sentimento.

A primeira constitui-se de uma análise lógica baseada em estruturas de pensamento, as pessoas deste tipo preferem orientar-se por uma lei geral. Tornando-se objetivas e imparciais, não colocam seus valores pessoais e veem facilmente os prós e contras nas suas análises. Elas buscam um padrão objetivo da verdade. Lidam melhor e sentem mais interesse por tarefas e coisas do que por pessoas. Preferem ser sinceros e dizer toda a verdade do que amenizá-la. Se um sentimento for incompatível com um dado racional, ele é ignorado, pois seu criticismo intelectual é muito acentuado. Gostam e oferecem suporte à ciência e tecnologia.

A segunda se dá através de uma avaliação valorativa pessoal, a busca pelos valores individuais e não universais. Aqueles que tomam decisões baseados em sentimentos. Não se preocupam com as leis gerais nem com a lógica ou a causalidade e sim em como se sentem. Se voltam para relações interpessoais e possuem uma forte compaixão pelos outros, além de serem receptivos. Dizem as verdades de forma indireta, e em geral concordam com as opiniões ao seu redor para manter o equilíbrio. Tem dificuldade para organizar as ideias e formular frases concisas. São amigáveis e sociáveis, buscam apoiar movimentos comunitários e pensam no bem comum.

A totalidade

Assim como as fases da lua, a nossa consciência também tem seus pontos mais luminosos e mais escurecidos, são os diferentes pontos de vida que cada pessoa tem. Para Jung, a dinâmica da personalidade é baseada no equilíbrio entre opostos. Definimos assim as funções psíquicas: função principal e função auxiliar (são as mais desenvolvidas), função terciária e a função inferior (pouco desenvolvidas, permanecem no inconsciente). A função principal é a que mais podemos controlar conscientemente, ela é a mais desenvolvida e mais utilizada diariamente, sendo mais subordinada ao controle pela vontade consciente. A função auxiliar, corresponde à função que oferece um segundo ponto de vista a ser observado pelo indivíduo, não sendo antagônica à principal, serve à função principal. A função terciária é oposta à auxiliar, com desenvolvimento primário e sua importância reside em complementar a totalidade. A função inferior é oposta à principal, ocorre no inconsciente e se for demasiadamente negligenciada pode afetar o funcionamento do consciente de forma destrutiva.

3. Uma história na visão dos tipos psicológicos...

A muitos anos atrás, no final do século XIX, 5 homens saíram de suas casas pela manhã em Paris, com trouxas de roupas, muita coragem e desejo de começar uma nova aventura. Era um dia frio e eles enfrentariam uma viagem longa de navio por mares nunca antes navegados. Estes homens estavam em busca de ouro e para encontrar precisavam ir para continentes longínquos onde ouviram falar que era possível encontrarem ouro. Seu líder chamava-se Pierre e era um homem ..... . Pierre então deu ordens para começarem a viagem, eles então viajaram por 40 dias e assim que avistaram terra decidiram parar para procurar o ouro. Quando desceram foram parados por nativos indígenas, e pediram ajuda destes pois não conheciam o local e assim, ofereceram produtos que trouxeram da França em troca da ajuda, e os nativos os ajudariam e carregariam suas armas e mantimentos mata a dentro. Os homens brancos caminhavam muito depressa, com a ânsia de enriquecerem que tinham, enquanto os nativos iam indicando o caminho. Um dia os índios não quiseram mais caminhar e sentaram. Os homens brancos não entenderam o motivo mas o intérprete que tinham trazido com eles os ajudou. Ele explicou que os nativos diziam que não queriam caminhar pois eles andavam depressa demais e sendo assim, a alma deles havia ficado para trás. Eles iriam ficar sentados até a alma alcança-los. Pierre e sua tripulação ficaram indignados preocupados com o tempo. Perguntaram como eles conseguiriam saber quando a alma teria alcançado eles. Os nativos riram e disseram: “E vocês não sabem quando estão com suas almas?”

Esta história pode demonstrar a diferença entre alguns tipos psicológicos, de acordo com a dinâmica de personalidades de Jung. Os índios possuíam uma forte conexão com suas almas e não podiam viver sem antes analisar se estavam acompanhados desta, viviam mais calados e apesar de voltados para sua percepção interior do momento presente. Poderiam, numa análise de personalidade superficial, ser definidos como introvertidos por serem mais calados e compreenderem a vida antes de vivê-la. Suas funções psíquicas seriam: pensamento (seguem as leis da tribo em geral), intuição (buscam um significado superior ao que está acontecendo), sentimento (pouco desenvolvida pois não tomam decisões baseados nos seus sentimentos, e sim nos da tribo) e sensação (esta é manifestada no inconscientemente pois os índios preferem pensar no todo antes das parte). Olhando agora para os homens brancos podemos observar outro tipo de personalidade. Os franceses estavam muito preocupados com ganhos exteriores e sua vida material, por isso podem ser considerados extrovertidos. Suas funções psíquicas seriam: pensamento (seguem as leis de sua sociedade consumista sem se preocupar com seus valores pessoais), sensação (preferem ver as partes ao invés do todo, pensando em sua própria ambição), sentimento (não se preocupam com os sentimentos e os valores dos outros) e intuição (não se preocuparam com sua alma).

Referências Bibliográficas

HYDE, Maggye/MCGUINESS, Michael. Entendendo Jung: um guia ilustrado. São Paulo: Leya, 2012.

JUNG, Carl G. O homem e os seus símbolos. 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.

ZACHARIAS, José. Os Tipos Humanos. São Paulo: Paulus, 1995.

http://www.ijep.com.br/index.php?sec=artigos&id=186&ref=o-ponto-de-vista-de-cada-um

http://www.suapesquisa.com/biografias/carl_jung.htm

http://www.jung-rj.com.br/artigos/tipos_psicologicos.htm


 
 
 

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