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Humanismo feat. Because of you

  • psicologiapersonal1
  • 5 de nov. de 2015
  • 9 min de leitura

Universidade de Brasília - UnB

Disciplina: Psicologia da Personalidade 1

Professora: Elisa Walleska Kruger Costa

Aluna: Erika Japiassu Albuquerque

Matrícula: 14/0176853

Turma: E

INTRODUÇÃO

O presente artigo trata da Psicologia Humanista apresentando um dos teóricos desse ramo, Carl Rogers. Para tanto faz-se uma análise a vida de Rogers, desde sua infância até a sua contribuição com a Psicologia Humanista, a Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). Partindo dessa premissa, faz-se uma análise do clipe musical "Because of You" da cantora Kelly Clarkson. Por fim, apresenta-se as conclusões de tal análise relacionando-a com a perspectiva da Psicologia Humanista.

Palavras-chave: Psicologia; Psicologia Humanista; Rogers; ACP.

APRESENTAÇÃO DO AUTOR

Carl Rogers foi educado em uma família onde o trabalho duro e o cristianismo protestante eram extremamente valorizados. Seus pais controlavam o comportamento do filho de forma sutil, com restrição social, mas com estímulo intelectual. Influenciado pela vida rural adotada por sua família, Rogers chegou a matricular-se no curso de Agronomia. Posteriormente, decide mudar para o curso de História. Durante o primeiro ano do curso de História, Rogers participou de um Congresso Internacional da Federação Mundial de Estudantes Cristãos e, nessa viagem, ele percebe que as doutrinas religiosas são muito divergentes e emancipa-se da atitude religiosa de seus pais. Em 1924, ele vai ao Seminário da União Teológica em Nova Iorque e lá tem contato com disciplinas do curso de Psicologia. Então, transfere-se para o Teacher's College da Universidade de Columbia para cursar psicologia clínica e psicopedagogia e em 1931 tornou-se doutor.

Rogers obteve suas primeiras experiências clínicas e psicoterápicas ocorreram no Instituto de Aconselhamento Infantil de Nova Iorque e lá percebeu a incompatibilidade do pensamento freudiano e as ideias do Teacher's College. Seu primeiro emprego foi no Centro de Observação Infantil, onde trabalhava com casos de crianças deliquentes. Nos anos em que esteve neste centro, ele tentou ser o mais eficaz possível em relação aos seus pacientes. Analisando seu método de trabalho - que sofria influência de Otto Rank, um psicanalista que rompeu com o pensamento freudiano - Rogers começa a abandonar a orientação diretiva ou interpretativa e adota uma perspectiva mais pragmática de escuta dos clientes.

Rogers relatou que o próprio cliente que deve tomar a direção e o conteúdo da experiência terapêutica. Sua abordagem terapêutica centrava-se na auto-aceitação. Partindo dessa premissa, ele afirma que o alvo da sua nova terapia, intitulada de "Novos Conceitos em Psicoterapia", é ajudar o individuo a resolver seus próprios problemas através da tendência que o indivíduo possui para o crescimento, a saúde e a adaptação, com ênfase nos aspectos emocionais. Por fim, considera a experiência terapêutica por si só uma experiência de crescimento. E assim nasce a Terapia Centrada no Cliente ou Abordagem Centrada na Pessoa. Por ter desenvolvido um método original para a experiência terapêutica, Rogers foi eleito presidente da Associação Americana de Psicologia em 1946.

Para Rogers existem três condições para atualizar o núcleo básico da personalidade humana: consideração positiva incondicional, empatia e congruência. A consideração positiva incondicional deve-se a aceitação da pessoa como ela é e expressar uma consideração positiva por ela; a empatia gira em torno da capacidade de colocar-se no lugar do outro; e a congruência reflete sobre a coerência interna do próprio terapeuta. Portanto, pode-se perceber que a Terapia Centrada no Cliente é eficaz como instrumento de aperfeiçoamento da condição humana em qualquer tipo de relacionamento. Ele também dedicou à intervenção e reflexão nas áreas sociais e política.

Com o grande número e variedade de aplicação o termo Abordagem Centrada na Pessoa parece mais pertinente, pois não era apenas psicoterapia, mas também um jeito de ser que se aplica a qualquer situação onde o objetivo seja o crescimento, de uma pessoa, um grupo ou comunidade. Portanto, de uma vida dentro de uma visão religiosa que expandiu-se num futuro melhor para a humanidade, tem-se Carl Rogers, um dos teóricos da Psicologia Humanista.

ROGERS E A PSICOLOGIA HUMANISTA

A visão humanista de Rogers surgiu através do tratamento de pessoas emocionalmente abaladas. Ele trabalhou com o conceito de tendência atualizante. Tal conceito reflete a tendência de cada pessoa atualizar suas capacidades e potenciais. Ele também trabalhou com a ideia de autoconceito, um padrão organizado e consciente das características de cada um desde a infância cujo pode ser reforçado ou substituído de acordo com novas experiências. Essa capacidade do indivíduo de modificar consciente e racionalmente seus pensamentos e comportamentos fornece a base para a formação de sua personalidade.

Rogers propôs o ideal "tornar-se pessoa", onde ele explicava que esse patamar é alcançado quando o indivíduo amava-se, quando ele é coerente com o que faz, pensa e sente. "Descobri que sou mais eficaz quando posso ouvir a mim mesmo aceitando-me" (ROGERS, 1961). Assim sendo capaz de estar aberto a compreender os outros, sem julgamentos.

Todavia, é necessria a experiência de permitir-se estar nessa posição de aceitação do próximo, começando de si mesmo: aceitando-se, compreendendo-se e transformando-se. As primeiras duas etapas, para Carl, significam quitar-se de todas as avaliações morais, em prol de adquirir uma confiança pessoal maior.

Para Rogers, existe o autoconceito real - o que se é de fato - e o ideal para si - o que se deseja ser. Os indivíduos bem ajustados psicologicamente tem autoconceitos realistas. Já a angústia psicológica advém da desarmonia entre autoconceito real e ideal. Uma vez que o indivíduo possui os recursos necessários para mudar seus conceitos.

Então, a Abordagem Centrada na Pessoa refere-se a uma forma de entrar em relação com outro utilizando um modo positivo de conceitualizar o indivíduo. Sendo assim, essa abordagem coloca em evidência a experiência subjetiva do ser humano.

Para que a ACP funcione de maneira plena faz-se necessário a aceitação positiva incondicional e congruência.

A aceitação incondicional reflete acerca do modo de aceitar o indivíduo como ele é. Já a congruência indica o estado de autenticidade de uma pessoa cuja traduz-se na capacidade de aceitar os sentimentos, atitudes e experiências, e de ser autêntico na relação com o outro.

PSICOLOGIA HUMANISTA

A Psicologia Humanista surgiu na década de 50, e ganhou força nos anos 60 e 70 como reação às ideias de análise apenas de comportamento, que são defendidas pelo Behaviorismo, e do enfoque no inconsciente que é defendido pela Psicanálise.

A Psicologia Humanista diverge do Behaviorismo, porque esta não aceita o homem como máquina sujeita a processos de condicionamento. Já a relação com a Psicanálise é estreita, porque ambas dão foco no inconsciente, nas questões biológicas, contos passados, neuroses, psicoses e na divisão do ser humano em compartimentos.

A contribuição da Psicologia Humanista é da experiência consciente, da crença na plenitude entre a natureza e a conduta do indivíduo, do livre arbítrio, espontaneidade e poder criativo. A realidade dessa linha psicológica deve permitir ao indivíduo a perspectiva de sua totalidade, desmitificando a ideia de uma realidade pura. Acredita que o ser humano é livre, ou pelo menos devia ser.

DESCRIÇÃO DO VÍDEO

O vídeo clipe começa mostrando uma casa, bonita, grande e aparentemente estruturada. A imagem então muda para uma vista dentro da casa, onde é possível observar um casal brigando, a moça empurra o companheiro e sai andando pela casa em direção à porta, o rapaz pega então um porta retrato com uma foto dos dois juntos com a filha e vai atrás, antes dela chegar até a porta ele a segura e mostra a foto, irritado por ela parecer não se importar, ele vai jogar o porta retrato no chão... mas a imagem congela.

A mulher então olha em volta como se estivesse percebendo que tem alguma coisa familiar naquela situação, ela se olha no espelho e se vê criança. As duas, de mãos dadas, começam a fazer um passeio pela casa onde elas cresceram, como se a adulta tivesse voltado no tempo e estivesse revivendo tudo que passou durante a infância e a versão dela mais nova estivesse lá acompanhando.

Juntas, elas observam a situação caótica da casa em que estão, primeiramente chegam à cozinha e presenciam a garotinha entregando um desenho ao pai, enquanto este fala ao telefone, assim ele pega o desenho, olha desinteressado e joga na pia, para poder voltar a atenção aos problemas sendo discutidos ao telefone. A garota olha para essa atitude e sai triste da cozinha.

Em seguida, mostra-se a mãe delas sentada sozinha à mesa, numa noite chuvosa, esperando o marido chegar. Cansada, a esposa levanta-se e joga a comida dele fora; as duas principais do vídeo acompanham com o olhar os passos da mãe saindo da cozinha, depois se olham como se elas se sentissem incapazes de ajudar naquelas circunstâncias.

A próxima cena, mostra a mãe tomando remédios e fechando a porta do quarto na cara da menina, quando sobe as escadas e a vê naquele estado. A mãe permanece chorando sozinha no quarto, aparentemente por não estar sabendo lidar com toda a situação.

Logo vem a cena mais impactante do clipe, onde o marido, com raiva, vira a mesa de centro em direção à esposa e sobe as escadas enquanto ela arremessa algum objeto de vidro nele, que se quebra ao bater na parede.

Depois disso, no dia seguinte, o cônjuge está de malas prontas para partir, a filha então vem correndo ajudá-lo a levá-las ao carro, onde só então percebe que seu pai está, de fato, indo embora. Após puxar a mala da mão da garota à força, o homem entra no carro e vai embora, deixando-a para trás.

A protagonista retorna ao presente, ao momento em que tudo parou, tira o porta retrato das mãos do parceiro e o abraça. Tendo o tempo já voltado a correr normalmente, os dois olham para o lado e encontram sua filha parada na porta do quarto os observando. O casal sorri, anda em direção à garotinha, a pegam no colo e assim terminam os três abraçados.

ANÁLISE DO CLIPE

Ao longo de todo o vídeo, é possível observar os problemas pelos quais a personagem principal passou durante a infância. Onde crescer numa casa totalmente fora de harmonia, em que os pais não conseguiam viver bem na companhia um do outro. Mesmo após anos sem ter de conviver com aquele caos, tal desarmonia acabou gerando danos em sua vida.

O nome da melodia é "Because of you", em virtude do refrão "Because of you / I never stray too far from the sidewalk / Because of you / I learned to play on the safe side / So I don't get hurt / Because of you / I find it hard to trust / Not only me, but everyone around me / Because of you / I am afraid" (Por sua causa / Eu nunca ando muito longe da calçada / Por sua causa / Eu aprendi a jogar do lado seguro / Para não me machucar / Por sua causa / Eu acho difícil confiar / Não só em mim, mas em todos à minha volta / Por sua causa / Eu tenho medo), no qual ela culpa alguém (provavelmente o próprio pai) por ser do jeito que é hoje.

Durante a música há passagens nas quais mostram claramente o quanto crescer naquelas circunstâncias foram extremamente desgastantes psicologicamente, "I was so young / You should have known / Better than to lean on me / You never thought / Of anyone else / You just saw your pain" (Eu era tão jovem / Você deveria saber / Melhor do que só apoiar-se em mim / Você nunca pensou / Em mais ninguém / Você só viu sua dor) e "My heart can't possibly break / When it wasn't even whole to start with" (Meu coração não pode se partir / Quando não estava nem inteiro de início).

Não só reclamações sobre o passado são feitas, como também reclamações sobre ela não conseguir ser feliz no presente, bem como por carregar o peso de todo aquele passado, "And now I cry / In the middle of the night / For the same d*mn thing" (E agora eu choro / No meio da noite / Pela mesma dr*ga de motivo). Mostra que o autoconceito adquirido na infância, aqui ainda não foi alterado, mesmo com as novas experiências.

A segunda cena, entretanto, já mostra a mulher entrando num processo de "tornar-se pessoa". Em meio a uma total angústia psicológica, ela abre os olhos para os problemas e procura sair em busca de quem ela quer ser, já que no início do vídeo está bem longe de quem ela é. Toda a história do clipe mostra, na verdade, a passagem dela por essa fase, já começando a música com "I will not make / the same mistakes that you did" (Eu não vou cometer / Os mesmos erros que você cometeu).

No processo de voltar para o passado e poder presenciar aqueles momentos difíceis que aconteceram durante a sua infância, a protagonista pôde perceber que embora tudo tivesse sido muito intenso para ela, não era aquilo que queria para sua nova família. Uma vez que na teoria humanista as pessoas podem mudar, se quiserem.

Ao fim da história, a protagonista volta para a primeira cena onde estava brigando com o companheiro e, em vez de continuar a briga, o abraça. É um sinal de que ela conseguiu resolver seus problemas psicológicos mal resolvidos e amar-se.

CONCLUSÃO

Em vista dos argumentos apresentados, pode-se inferir que Carl Rogers e a Psicologia Humanista, estão empíricamente certos ao afirmarem que a situação do indivíduo, só depende do mesmo. Só a própria pessoa pode decidir mudar-se e melhorar-se, para assim ter uma vida mais completa para si e uma maior empatia com os demais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CLARKSON, Kelly. Because of You. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Ra-Om7UMSJc>. Acesso em: 30 de outubro de 2015.

CLARKSON, Kelly; HODGES, David; MOODY, Ben. Because of You. Disponível em: <http://letras.mus.br/kelly-clarkson/125539/>. Acesso em: 01 de novembro de 2015.

MACHADO, Geraldo Magela. Psicologia Humanista. Disponível em: <http://www.infoescola.com/psicologia/psicologia-humanista/>. Acesso em: 1 de novembro de 2015

MIRANDA, Alex Barbosa Sobreira de. A Abordagem Centrada na Pessoa. Disponível em: <https://psicologado.com/abordagens/centrada-na-pessoa/a-abordagem-centrada-na-pessoa-acp>. Acesso em: 1 de novembro de 2015.

MOREIRA, Virgínia. Revisando as Fases da Abordagem Centrada na Pessoa. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/estpsi/v27n4/11.pdf>. Acesso em: 1 de novembro de 2015.

TAVARES, Mariana. Carl Rogers - Uma Trajetória de Vida Inspiradora. Disponível em: < http://www.carlrogers.org.br/#!acp/c654>. Acesso em: 1 de novembro de 2015.

VASQUES, Larissa M. M. Tornar-se Pessoa. Disponível em: < http://terapiaviva.blogspot.com.br/2011/06/tornar-se-pessoa.html>. Acesso em: 1 de novembro de 2015.


 
 
 

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