top of page
Buscar

COMPLEXO DE ÉDIPO

  • Marcelo de Oliveira Gomes
  • 5 de nov. de 2015
  • 9 min de leitura

Universidade de Brasília

Disciplina: Psicologia da Personalidade Turma: B

Professora: Elisa Walleska Krüger Costa

Aluno: Marcelo de Oliveira Gomes Matrícula: 14/0069941

1. INTRODUÇÃO

Para Sigmund Freud, para todo ser humano há um pai e a uma mãe e não há como escapar da triangulação. É por meio dessa triangulação que a estrutura psíquica do indivíduo, notadamente a criança, em estágio de formação, será definida.

Freud criou o conceito do Complexo de Édipo. Para tanto recorreu à história da mitologia grega do Rei Édipo. Segundo a história, Édipo casa-se com Jocasta sem saber que ela é sua mãe e assassina o próprio pai, também sem saber do grau de parentesco familiar. No fim da história toda a verdade é revelada e acaba com Édipo se cegando e com Jocasta se suicidando.

A criança se depara com sentimentos de amor e ódio direcionados para aqueles que lhes são mais próximos, os pais. O Complexo de Édipo vai se caracterizar quando a criança passa a sofrer com várias proibições até então desconhecidas. A partir daí, a criança será alvo da família e da sociedade que começa a impor regras, limites e padrões.

Nessa esteira, o Complexo de Édipo é analisado como teoria estruturante pela qual a criança quando superado o referido complexo passa da ideia de “sujeito-outro” para o “sujeito-eu”. É a ideia de que a partir do domínio da linguagem a criança rompe com seu estado de natureza e entra na ordem simbólica da família, que possui regras e estabelece limites e induz à natureza de suas articulações.

2. ÉDIPO REI

A história se passa em Tebas. O rei Laio, esposo de Jocasta, depois de fazer uma consulta junto ao oráculo, descobre que seu filho irá matá-lo e que este se casará com sua esposa. Para evitar que isso acontecesse, manda um de seus servos amarrar os pés do seu filho bebê, deixando-o ao pé de uma montanha para ali morrer.

Um pastor o acha e o leva ao rei Pólibo, de Corinto, que juntamente com sua esposa Mérope, o adotará, e lhe darão o nome de Édipo. Passados alguns anos, em consulta ao oráculo para tirar a dúvida sobre sua origem, o oráculo lhe diz que ele está fadado a uma terrível profecia: ele iria matar seu pai e desposar a própria mãe.

Com medo da profecia, Édipo o reino onde cresceu. No meio de suas andanças, depara-se com um velho homem (seu pai Laio), com quem teve uma discussão que resultou, em legítima defesa, na morte do viajante e quase toda sua comitiva, do qual resta apenas um homem vivo. Sem rumo, Édipo chega às portas de Tebas, onde há uma Esfinge que propõe um enigma, com uma condição: se errasse a pena seria a morte. Édipo acerta o enigma e salva a si mesmo e a Tebas. Diante disso, Édipo recebe de Creonte (seu tio), irmão da rainha Jocasta e até então rei interino de Tebas, o título de Rei de Tebas e a mão de Jocasta (sua verdadeira mãe), viúva de Laio.

Após esses ocorridos, quinze anos se passam. O reino vive uma peste terrível. Novamente após consulta ao oráculo, este diz a Creonte que para livrar a cidade da peste seria necessário encontrar e punir o assassino de Laio. Édipo ordena aos seus súditos que o criminoso seja banido e considerado maldito para sempre. Passado algum tempo, um cego chamado Tirésias diz a Édipo que o assassino está mais perto do que ele imaginava. Édipo então se lembra da profecia que o fez sair de Corinto e teme que ele tenha sido o tal assassino. Nesse intervalo de tempo, descobre que seu pai Polibo morreu, contudo não era seu pai de sangue. Juntamente a isso, aparece o homem que sobrou da comitiva do rei Laio, exatamente que abandonou Édipo na base de uma montanha. Édipo então junta todo o quebra-cabeça e conclui que havia matado seu verdadeiro pai (Laio) e casou com sua mãe (Jocasta).

Jocasta, traumatizada, se suicida e Édipo, entristecido, fura os próprios olhos. Cego, Édipo decide abandonar Tebas, mas por sugestão de Creonte permanece um pouco mais na cidade. Amaldiçoa os dois filhos que estavam lutando pelo poder e sua filha Antígona começa a guia-lo em sua nova vida de andarilho.

3. O FENÔMENO EPÍDICO

O chamado momento de Édipo se caracteriza com o divisor de águas entre o Inconsciente e o Pré-Consciente ou o próprio Consciente: ocorre a passagem do imaginário para o simbólico.

O interdito é o responsável pela mudança, em termos antropológicos, da passagem da natureza para o mundo cultural humano. Ele explicita que o natural é tudo aquilo que já é inerente ao homem e o cultural é baseado nas normas, sejam elas morais ou jurídicas. O caso da proibição do incesto marca a passagem do natural para o cultural.

Dentre todos os instintos que o homem possui, o instinto sexual é o único que precisa do outro para se completar. Em decorrência disso, percebe-se que as sociedades criaram regras para regulamentar as relações entre os sexos: a natureza fala que os filhos somente são concebidos por seres de sexos opostos, mas nada diz sobre como vão ser os pais ou a aliança que pode existir entre eles. Há aqui a dicotomia entre os laços de consanguinidade (naturais) e os laços de aliança (culturais). Essa coincidência entre a relação de consanguinidade e a relação de aliança é o que vai caracterizar a proibição de incesto.O Complexo de Édipo dirá respeito ao desejo. O que se busca é uma restrição para que não haja alianças no interior da família biológica com o fim de garantir que o grupo sobreviva.

No que tange ao complexo de Édipo, há dois aspectos importantes da teoria freudiana: localização de Édipo no sujeito ou fora dele e a importância do período pré-edipiano. Édipo seria considerado como algo pelo qual o indivíduo já possui ou que por fatores externos o adquire.

Freud trata aqui do objeto que a criança escolhe. A criança pode escolher ambos os pais ou apenas um deles (preferencialmente será a mãe) para satisfazer seus desejos eróticos. As relações que se estabelecerão a partir daí serão a de amor para com a mãe e de ódio para com o pai. Embora Freud faça referência expressa ao mito de Édipo e de apontá-lo como expressão desse desejo erótico infantil, ele emprega o termo “Complexo Nuclear”.

Como já exposto, o primeiro objeto amoroso tanto de meninos quanto de meninas será a mãe. Para o menino, o pai se torna rival e para tanto o hostiliza. Para a menina o processo é diferente, uma vez que ela terá que fazer uma substituição da mãe pelo pai. Dois fatos chamaram a atenção de Freud para esse caso das meninas: o primeiro diz respeito à riqueza e a complexidade da relação primária com a mãe e o segundo é que a duração dessa fase se prolongava até os quatro ou cinco anos de idade.

O período pré-edipiano faz o Édipo ser concebido como um processo sob três vertentes: a) relação de dualidade criança/mãe; b) a entrada do pai e o acesso ao simbólico; e c) identificação do pai na relação juntamente com o começo do declínio de Édipo.

O primeiro período seria o do imaginário. Apesar do imaginário se submeter ao simbólico, a criança ainda não possui mecanismos concretos de acesso a este último. É nesse período que há uma relação forte de ligação entre a criança e a mãe. Nesta fase não há uma individualidade psíquica por parte da criança, tanto que ela se refere a si própria sob a terceira pessoa. Há ainda o comportamento de identificação do outro.

Quando esta relação dual se torna triádica, com a entrada do pai em cena, ocorre a distância entre a criança e o par. O pai, embora sempre presente fisicamente e muitas vezes principal mantenedor da criança, não é visto como a figura da mãe. No entanto, o pai que protege e acaricia o filho não é visto como alguém diferente da mãe, tornando-se uma espécie de espelho. O que levanta o primeiro momento de Édipo é o chamado ternário imaginário.

Para o ternário imaginário não há a criança, a mãe e o pai e sim a criança, a mãe e o falo. O falo aqui é entendido como um símbolo de poder e de completude. Para Freud o ser humano é marcado por uma incompletude fundamental que faz ir atrás da procura infindável. Este símbolo que detém o poder de preenchimento do vazio desta incompletude é que produz o falo.

Desta teoria surge outra teoria, o Complexo da Castração: como o pênis é eleito com a função simbólica de preenchimento da incompletude, a criança acredita que todo adulto possui um pênis. Um dia, entretanto, descobre que a sua mãe não tem esse pênis. Diante disso, a criança começa a ver a mãe como castrada, uma vez que o pênis é visto como algo essencial. Essa castração começa a ser vista como uma ameaça e o principal vetor desta ameaça passa a ser o pai.

Neste primeiro momento do Édipo, a criança se torna o falo da mãe, identificando-se como o objeto do desejo desta. A criança é vista como o complemento da falta da mãe. É ainda o momento de perfeição narcísica que só será superado com o simbolismo. Entretanto, este simbolismo está nos discursos da mãe e dos adultos que ficam ao redor desta criança: a criança que não possui a capacidade de falar, suas necessidades são “faladas” pelos outros.

O segundo momento de Édipo possui o advento do simbolismo e o papel do pai como sujeito privador tanto da mãe como da criança, uma vez que priva a criança do seu objeto de desejo, a mãe, e priva esta do objeto fálico. A criança vê o pai como violento e ciumento que quer guardar todas as fêmeas para si e expulsar os filhos uma vez que estes vierem a crescer. A perfeição narcisista da criança se esvai uma vez que a criança entende a chamada “Lei do Pai” e este reconhecimento vem com o tempo e carregado no discurso da mãe, que o reconhece com o homem e como a autoridade deste triângulo.

O acesso à linguagem produz o recalque originário de forma a substituir o registro de ser (a criança, narcisista, que ser o falo) pelo registro do ter (ter um desejo mais limitado). Há a castração, ora citada, em que a criança deixa de ser o falo e a mãe deixa de ser a lei. O falo, para a criança, passa a ser o pai, e este que antes era o representante da lei, passa a ser a própria lei. O pai é representado pela criança ao nível imaginário. Esta castração simbólica é que permite a criança a se perceber como um “EU”, alguém visto com subjetividade própria.

Surge aí o terceiro momento do Édipo, pelo qual o pai deixa de ser a lei e passa a ser representante desta. Ninguém é mais o falo, inclusive o pai. Nesse momento ocorre a substituição da criança como o “eu ideal” para o “ideal do eu”. No “eu ideal” a criança, com postura perfeitamente narcisista, se identificava como o próprio falo. A disjunção criança-falo transfere ao pai o poder do falo: para a teoria freudiana a criança se identifica com o superego do pai.

A interiorização da lei é que vai permitir à criança constituir-se como um sujeito próprio. A separação da mãe pelo interdito paterno produz na criança a consciência de si mesma como entidade diferente capaz de ser inserida na ordem conhecida como Cultura.

É através da linguagem que o Édipo vai se resolver, uma vez que a partir disso que a criança constituirá sua subjetividade própria, reconhecendo-se como um “EU”. É a linguagem que possibilita à criança romper com seu estado de natureza e entrar na ordem simbólica da família, que possui regras e estabelece limites e induz à natureza de suas articulações.

Entretanto, a mesma palavra que garante a sobrevivência social é a mesma palavra capaz de produzir a morte do sujeito.

4. CONCLUSÃO

O presente trabalho buscou demonstrar a teoria que Freud criou, tomando por base a história mitológica grega de Édipo Rei, intitulada de Complexo de Édipo. Essa teoria na verdade queria explicar que a criança, entre 03 e 06 anos, pode passar a possuir “desejos incestuosos”, repudiados pela cultura em que nos encontramos, uma vez que o incesto não é permitido, e suas implicações que podem acompanhar durante toda a história de vida do indivíduo.

A teoria do Complexo de Édipo se torna relevante uma vez que é um dos principais vetores responsáveis pela identificação da criança como um sujeito diferente em relação aos seus pais, ou seja, ela passa a se ver como um “EU”, e que possibilita que a criança perceba que seus pais, e não somente eles, mas todos ao seu redor, pertencem a uma dimensão sociocultural formada por regras impostas pela sociedade, que desembocam inclusive na superação do perfeito narcisismo insurgente nessa época.

O desenvolvimento da linguagem se torna uma dos principais fatores que possibita à criança dissolver o estado de natureza em que se encontra e entrar na ordem simbólica (regras sociais) da família. Isso possibilita a superação do Complexo de Édipo, que quando mal resolvido, pode influenciar diretamente na construção da estrutura psicológica do indivíduo.

REFERÊNCIAS

GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Freud e o inconsciente. 24.ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.

MIRANDA, Alex Barbosa Sobreira de. Uma Breve Compreensão sobre o Complexo de Édipo.<https://psicologado.com/abordagens/psicanalise/uma-breve-compreensao-sobre-o-complexo-de-edipo>. Acesso em 23 de outubro de 2015, 23:32.

SÓFOCLES. Édipo Rei. Virtualbooks. Pará de Minas-MG, 2000-2003. [Consultado em 23 out. 2015]. Disponível em <https://www.passeidireto.com/arquivo/2127712/edipo-rei>.


 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Destaque
Tags

© 2023 por Amante de Livros. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook B&W
  • Twitter B&W
  • Google+ B&W
bottom of page