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Bases Psicológicas e sociais do Suicídio

  • psicologiapersonal1
  • 5 de nov. de 2015
  • 8 min de leitura

Universidade de Brasília:- UnB Instituto de Psicologia- IP Departamento de Psicologia Clínica-PCL Psicologia da Personalidade 1- Turma B

Professora: Dra. Elisa Walleska Kruger Alves da Costa

Aluna: Izadora Alves Souza Dantas - Matrícula: 14/0083235

Resumo


Através deste trabalho, é buscado explicar o suicídio, suas possíveis causas e consequências. Usando como referências grandes pensadores que abordaram o tema em suas obras, como: Èmile Durkheim, Edwin Shneidmam e Goethe.

Além destes, foi feito uso de artigos científicos para tentar estabelecer tanto um perfil para o suicida, quanto as consequências das tentativas de pôr fim a própria vida.


Introdução


De acordo com o Novo Dicionário Aurélio 1ª edição, suicidar-se é dar a morte a si próprio; arruinar-se por culpa de si mesmo; perder-se.

O suicídio é considerado um problema de saúde pública, situa-se entre as três maiores causas de morte na faixa etária entre 15 e 35 anos e representa a sexta causa de incapacitação em indivíduos entre 15 e 44 anos.

A taxa de suicídio apresenta números alarmantes, constata-se que o índice de mortalidade tem aumentado ao longo dos anos, sendo que nos últimos 45 anos houve aumento de 60% na mortalidade por suicídio. O mesmo pode-se inferir acerca das tentativas de suicídio, se estima que o número de tentativas seja 10 vezes maior que o número de suicídios.

Uma das características próprias do estado em que se encontra a maioria das pessoas com ideação suicida é a ambivalência entre o desejo de vida e morte.


Fatores influenciadores


Fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais interagem durante a vida do indivíduo e podem predispor ao suicídio. Dessa forma, não é possível determinar um motivo para o suicídio e sim desencadeadores, os quais se constituem em um evento que, aparentemente, estimulou a ideação suicida e consequentemente o ato naquele momento.

  • O suicídio como fator biológico e físico

Fatores que influenciam o índice de suicídio:

  • Gênero: A literatura demonstra que a tentativa de suicídio é mais comum no sexo feminino. No entanto, o índice de suicídio bem sucedido entre os homens chega a ser quatro vezes maior do que entre as mulheres. Este fato tem relação com a forma mais impulsiva dos homens ao usarem métodos mais letais como armas, abuso de álcool e drogas e por serem menos propensos a procurarem e aceitarem ajuda.

  • Etnicidade: Este fator varia de país para país. Nos Estados Unidos, por exemplo, brancos geralmente têm um índice maior de suicídio do que negros.

  • Idade: O índice de suicídio aumenta de acordo com o envelhecimento do indivíduo. A maioria das vítimas do suicídio tem mais de 45 anos de idade. Entretanto, a taxa de suicídio entre jovens é de grande preocupação. Durante a faculdade, suicídio é a terceira maior causa de morte entre os jovens. Abuso de álcool, abuso de drogas, dificuldade e problemas de interação social e problemas de saúde também são fatores de grande influência.


O suicídio como fator social


Émile Durkheim

O suicídio como fator social é abordado por Émile Durkheim. Segundo o sociólogo, cada sociedade está predisposta a fornecer um contingente determinado de mortes voluntárias, possuindo a cada momento da sua história, uma atitude definida em relação ao suicídio, ou seja, a força que determina o suicídio é um fator social e não psicológico. Segundo Durkheim, o suicídio se divide em três tipos:

  • Suicídio Egoísta: é aquele em que o ego individual se afirma demasiadamente face ao ego social, ou seja, há uma individualização desmesurada. As relações entre os indivíduos e a sociedade se afrouxam fazendo com que o indivíduo não veja mais sentido na vida, não tenha mais razão para viver;

  • Suicídio Altruísta: é aquele no qual o indivíduo sente-se no dever de fazê-lo para se desembaraçar de uma vida insuportável. É aquele em que o ego não o pertence, confunde-se com outra coisa que se situa fora de si mesmo, isto é, em um dos grupos a que o indivíduo pertence. Temos como exemplo os kamikazes japoneses, os muçulmanos que colidiram com o World Trade Center em Nova Iorque, em 2001, etc.;

  • Suicídio Anômico: é aquele que ocorre em uma situação de anomia social, ou seja, quando há ausência de regras na sociedade, gerando o caos, fazendo com que a normalidade social não seja mantida. Em uma situação de crise econômica, por exemplo, na qual há uma completa desregulação das regras normais da sociedade, certos indivíduos ficam em uma situação inferior a que ocupavam anteriormente. Assim, há uma perda brusca de riquezas e poder, fazendo com que, por isso mesmo, os índices desse tipo de suicídio aumentem. É importante ressaltar que as taxas de suicídio altruísta são maiores em países ricos, pois os pobres conseguem lidar melhor com as situações.


Edwin Shneidman


Edwin Shneidman, psicólogo por formação, um eminente pesquisador na área do suicídio e da tanatologia. Considerado o pai da suicidologia. Foi um dos pioneiros do Centro de Prevenção do Suicídio de Los Angeles e da Associação Americana de Suicidologia.

Shneidman se baseou de inicio na teoria da personalidade de Henry Murray, o investigador das necessidades psicológicas básicas do ser humano, consideraria o suicídio como o resultado final de um máximo de dor, um máximo de perturbação e um máximo de pressão. Trata-se de um modelo cúbico, também conhecido como “cubo suicida de Shneidman”, em que temos um cubo formado por 125 outros pequenos cubos (5x5x5), que visa medir as variáveis: dor, perturbação e pressão. A dor nesse caso é psicológica, ou seja, frustração por não alcançar seus objetivos (componente central do suicídio). A perturbação refere-se a um distúrbio qualquer: como distorções cognitivas, automutilações. A pressão está relacionada ao que está no exterior e ao que está no interior de cada individuo (acontecimentos de vida).

Shneidman divide a intencionalidade do suicida em três aspectos:

  1. Morte intencional, em que o indivíduo teve um protagonismo consciente, por exemplo, enforcamento.

  2. Morte não intencional, em que o indivíduo não foi protagonista para tal desfecho, por exemplo, a morte ao limpar uma arma de fogo.

  3. Morte subintencional, em que o indivíduo teve um protagonismo indireto ou inconsciente, por exemplo, um acidente de automóvel a alta velocidade.

Enquanto Durkheim faz a analise do suicídio de maneira mais ampla, o Sheindman buscou uma caracterização mais pessoal para o suicídio.



O suicídio e a Revolução Romântica


Dentro da história da Literatura há um elo de revoluções que permeiam também as áreas da economia e da política. Nos séculos XVIII e XIX estas revoluções transformaram o mundo, foram elas: a Revolução Industrial, na Inglaterra; a Revolução Francesa, na França e a Revolução Romântica na Alemanha.

A Revolução Romântica foi uma rejeição ao Arcadismo, escola literária anterior ao Romantismo, que fazia uma sátira à política. Foi iniciada na Alemanha com a publicação do livro Os Sofrimentos do Jovem Werther de Johann Wolfgang Von Goethe. O livro se passa na Europa e conta a história de Werther, um jovem que possui uma paixão incondicional, Charlotte. Porém, sua paixão é impossibilitada de ser consumada, pois Charlotte fora prometida em casamento a outro homem, Albert. A vida deixa de ter sentido para Werther, que no final do livro acaba se suicidando com um tiro de pistola na cabeça.

Suicídio relatado por Wilhelm, criado de Werther:

“Pela manhã, às 6 horas, o criado entrou no quarto com a luz. Encontrou o seu senhor no chão, viu a pistola e o sangue. Chamou-o, mexeu nele; nenhuma resposta, ele ainda agonizava. Correu em busca dos médicos e de Albert. Lotte ouviu alguém tocar a campainha e um tremor convulsionou-lhe todos os membros (...). Tinha atirado na cabeça, logo acima do olho direito, fazendo saltar os miolos. Pelo sangue espalhado no espaldar da cadeira, concluiu-se que ele realizara seu intento sentado à escrivaninha, caíra em seguida, rolando convulsivamente em volta da cadeira. Estava estendido de costas perto da janela, inerte, todo vestido e calçado, de casaca azul e colete amarelo. (...) Do vinho, bebera somente um copo.”

GOETHE, J.W.V., Os Sofrimentos do Jovem Werther.

Quando lançado, este livro inspirou muitos jovens leitores e acabou gerando uma onda de suicídios na Alemanha na época. Cada suicídio cometido era noticiado e gerava cada vez mais suicídios. A partir deste momento, o suicídio foi proibido de ser publicado na mídia em geral para evitar a onda suicidógena.


Relação das experiências de quase morte aos suicidas


A experiência de quase morte (EQM) é um estado alterado de consciência que inclui uma experiência emocional e de conteúdo estereotipado. Os fenômenos seguintes são característicos de EQM: calma, ausência de dor; saída do corpo; viajar por um túnel em direção à luz; encontrar “seres” espirituais; encontrar parentes falecidos; paisagem bucólica; visão retrospectiva da vida; reconhecimento de uma barreira ou limite para além do qual não se pode ir; volta abrupta ao corpo.

Esta experiência pode suscitar tranquilidade em relação à morte, inclusive um sentimento positivo. Esta romantização da morte tem sido especulada como um potencial incentivo à ideação suicida. As pessoas que vivenciaram uma EQM demonstram menos medo da morte e veem a morte como algo menos ameaçador. Os pacientes que passaram por uma EQM tipicamente apresentam uma paradoxal diminuição da ideação suicida. Embora esta experiência possa romantizar a morte, por outro lado fundamenta a vida de sentido e propósito, reduzindo a ideação suicida ao promover um sentido de unidade com algo que transcende a personalidade, ressignifica as falhas e as perdas pessoais, realçando o propósito e a alegria de viver e valorizando a autoestima.



Fatores psicológicos pós-tentativa suicida


O ato suicida deve ser entendido como um pedido de ajuda que pode ter um resultado positivo ou negativo. O resultado positivo demonstra um movimento de apoio e de reestruturação. O resultado negativo apresenta agressões vindas de pessoas próximas do indivíduo ou de uma equipe de saúde despreparada atender tentativas de suicídio.

Muitos indivíduos consideram o suicídio um alívio rápido e a morte como interrupção da dor psíquica, apresentando uma tríade de sentimentos: desesperança, desamparo e desespero.

Considera-se importante identificar o nível de ideação suicida dos pacientes atendidos na Emergência a fim de intervir para minimizar o risco de uma nova tentativa de suicídio. O psicólogo visa avaliar o risco de suicídio, realizar psicoterapia de apoio, orientar familiares e encaminhar os pacientes a outros serviços de saúde.

No Hospital Universitário de Santa Catarina (HU/UFSC), está localizado o Centro de Informações Toxicológicas de Santa Catarina (CIT/SC). Este Centro fornece, em caráter de urgência, informações específicas aos profissionais sobre como conduzir determinados casos e informações de caráter preventivo/educativo à população em geral. Dessa forma, os pacientes intoxicados por causas acidentais (como erro na dosagem de medicação), abuso de drogas ou tentativa de suicídio, geralmente são encaminhados ao Hospital Universitário, onde o CIT/SC está localizado.

Conclusão

O suícidio é envolvido na sociedade pelo tabu e as pessoas que o cometem vistas de maneira esteríotipada. O artigo mostrou embasado em teorias psicologas, sociais e relatos de casos que explicam o que é e quais as razóes levam uma pessoa a buscar tirar sua própria vida. Dessa maneira pode-se entender como tratar e classificar essas ações.

Referências Bibliográficas

FERREIRA, A.B.H. Novo Dicionário Aurélio. 1. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira S. A., 1975.

FENWICK, P. As experiências de quase morte (EQM) podem contribuir para o debate sobre a consciência. Rev Psiq Clín, v. 40, n. 5, p. 203-7, 2013.

SARAIVA, C. Suicídio: de Durkheim a Shneidman, do determinismo social à dor psicológica individual. Psiquiatria Clínica, v. 31, n. 3, p. 41-61, 2010.

SAMPAIO, M. A. ; BOEMER, M. R. Suicídio: um ensaio em busca de um des-velamento do tema. Revista da Escola de Enfermagem da USP, v. 34, n. 4, p. 325-331, 2000.

MARQUETTI, F. C. O suicídio e sua essência transgressora. Psicologia USP, v. 25, n. 3, p. 237-245, 2014.


 
 
 

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