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“PRECISAMOS FALAR SOBRE KEVIN" - MELANIE KLEIN

  • psicologiapersonal1
  • 5 de nov. de 2015
  • 5 min de leitura

Faculdade de Psicologia

Psicologia da Personalidade – Turma B

Professora: Elisa Walleska Krüger Costa

Aluno(a): Dayanne Rodrigues Ayres de Lacerda Matrícula: 12/0115051

1 Introdução

É de suma importância compreender a Teoria de Personalidade, principalmente relacionado a psicanalise infantil, pois existe uma chance de tentar mudar a vida de uma criança que apresente distúrbios logo cedo. Além de evitar certo tipo de atitudes que possam atingir a sociedade, seja fisicamente ou mentalmente.

A partir da análise de alguns estudos realizados, e baseado no filme “Precisamos falar sobre Kevin”, é preciso compreender de forma mais visível as consequências de situações que são ignoradas, quando na verdade deveriam receber bastante atenção. O presente trabalho possui como principal objetivo entender como funciona uma Teoria da Personalidade baseada na prática e aplicada aos dias atuais. Por se tratar de uma criança, foi selecionado a teoria da psicanalista Melanie Klein, que tratou e descreveu justamente sobre a infância.

2 Desenvolvimento

No filme “Precisamos falar sobre Kevin” retrata uma história familiar intrigante. Conduzido por Eva, mãe de Kevin, é possível montar um cenário para compreender o drama, através de flashbacks. De imediato fica claro que existe uma incoerência na relação entre mãe e filho, resultando em ações psicopatas de Kevin. A relação desagradável ocorre desde a infância do garoto, que não possuía muita interação com a mãe, além de manter uma certa distância da irmã, porém ainda suportava o pai.

Tudo começa com a gravidez indesejada de Eva, a qual não se sentia em um bom momento da vida, pois buscava novas experiências e aventuras, ser livre era seu ideal de felicidade. A gestação foi como um sacrifício, um fardo que estava carregando. Na hora do parto, relutou bastante para não ter a criança, mas nada pudera ser feito. É nítido que ela não desejara ser mãe, além de não saber agir como tal e por isso, foi tudo de forma mais intensa. Acabou não passando segurança para o bebê, que sentia isso com clareza, pois a ligação é muito forte. Em uma cena mostra Kevin chorando e ela não tinha a menor noção do que fazer e como não aguentava mais, dirigiu-se a um lugar barulhento onde abafasse o choro.

É possível detectar uma depressão pós parto no caso de Eva, o qual atinge um número relevante de mulheres atualmente. A depressão pós-parto é uma depressão que ocorre em uma mulher após ela ter dado à luz um bebê. A gravidez indesejada aparenta ser o estopim para um surto de Eva, e essa depressão é uma consequência de um sentimento que ela estava guardando provavelmente desde quando se casou com Franklin, pois agora ela era uma mãe de família. Era muita informação, e ela não conseguiu digerir tudo aquilo. Pode parecer óbvio, mas as pessoas reagem de forma diferente a estímulos iguais.

Conforme seu filho vai crescendo, ela continua sem saber como lidar e até cuidar, demonstrando o mínimo de afeto possível, ao contrário do pai, que se sentiu muito feliz com o novo membro da família. É importante entender que a vida dela mudou completamente, como se o filho fosse um impedimento para a sua liberdade.

Durante o filme, a criança passa a manifestar traços psicopatas visíveis e seus pais simplesmente ignoram o assunto, ao invés de tratar. Era um garoto desprovido de empatia e carisma, bastante violento, descontava sua raiva na mãe e posteriormente em seus colegas do colégio. Eva e ele estavam sempre em conflito, mutuamente, ao mesmo tempo em que ela tenta reparar e se tonar mais “amável”.

Eva não conseguia lidar com Kevin no nascimento, enquanto ele era bebê e mesmo depois de ter crescido, com o passar do tempo tornava-se um menino cada vez sínico e antipático. Por mais que ela tentasse interagir, ele não abria espaço, esquivando-se de toda e qualquer tentativa de melhora no relacionamento.

Era complicado tentar entender o porquê dessas atitudes de um menino tão novo, era culpa dos pais? O filme apresenta exatamente esse ponto, e por isso é tão interessante tentar compreendê-lo. O ápice ocorre quando Kevin comete um assassinato em massa em seu colégio, além de matar o próprio pai e irmã, o que o motivou a tomar tal atitude? Será que ele sentiu uma rejeição de sua mãe? Pois não haviam sinais aparentes de abuso sexual, violência, traumas ou morte de pessoas próximas.

A psicanalista Melanie Klein discorre exatamente a respeito disso. E mostra como a criança percebe o sentimento da mãe. Analisando por partes a história de Kevin, nota-se que Eva não queria ter engravidado e muito menos ter tido a criança, o que resultou em um sentimento de não unicidade, quando o inconsciente do bebê está interligado ao da mãe. Porém, por mais anormal que seja, o filho sente essa rejeição, mesmo dentro do útero.

A relação entre a mãe e a criança é a base para a vida futura, o bebê nasce sabendo inconscientemente da existência da mãe. Ele nasce com o ID, o que representa a fonte da libido, busca o prazer a qualquer preço, funciona como um instinto. O bebê sai de um ambiente quente e completamente diferente do mundo, ele ainda não é capaz de entender o que está acontecendo e o primeiro contato que ele possui é com a mãe, ela quem vai cuidar dele. Como Kevin não recebeu esses cuidados primordiais, resulta em um estado esquizo-paranóide, o bebê enxerga o mundo como uma ameaça.

Segundo Klein, os bebês logo quando nascem possuem dois tipos de sentimentos básicos: amor e ódio. No desenvolvimento, ele percebe que o mesmo objeto que ele ama (seio bom) é o mesmo que ele odeia (seio mal). Uma amamentação ruim e uma falta de acolhimento, pode resultar na frustração e raiva de sua mãe.

Melanie Klein concordou com Sigmund Freud no fato em que a agressão e a libido são os dois instintos básicos, além de também perceber que o instinto agressivo representa a pulsão de morte e a libido a pulsão de vida. Klein divergiu de Freud na suposição de que o EGO existe ao nascimento. Ela acreditava que o EGO fosse evoluindo com o desenvolvimento.

Nos primeiros anos da criança, é possível experimentar desilusões e angustias, no caso de Kevin, isso ocorreu muito cedo. Quando ele realiza o assassinato em massa e de alguns membros de sua família, fica claro que sua intenção é descontar a raiva na mãe, é demonstrar para sociedade que a culpa de ele ser assim é dela, pois ela criou um monstro. Todas as atitudes que Eva tivera com seu filho desde a sua gravidez, tiveram reflexo no passar dos anos, até que a situação chegou ao seu estopim.

Se os pais de Kevin tivessem dado maior importância as ações de seu filho, procurasse conversar e entender o que ele estava sentindo e quais eram as suas emoções, muitos problemas poderiam ter sido evitados, principalmente na fase infantil. A situação vivida pela família demonstra os cuidados que os pais devem ter, e saber que cada ação pode gerar um sentimento diferente na criança.

3 Conclusão

O foco do trabalho em compreender a teoria da personalidade de Klein, a qual explica e comprova diversos fatores retratados no filme, demonstra que mesmo sendo uma teoria antiga, existem fatores e pensamentos que poder ser aplicados em situações atuais.

Apesar de ser um trabalho complicado e além das dificuldades encontradas em tentar aplicar o conhecimento da psicanalista na história de Kevin, enriqueceu bastante o conhecimento, além de conseguir trazer para vida prática o funcionamento básico de uma mente infantil. Porém ficou muito limitado tentar achar algum exemplo que se aplicasse a teoria, pois apensar de conhecidos alguns casos, muitos não mostram com tanta clareza o decorrer do processo que resultou nas ações de Kevin.

4 Referência Bibliográfica

http://pt.slideshare.net/RayChagas/contribuies-de-melanie-klein-para-a-psicoterapia-infantil

http://ulbra-to.br/encena/2013/03/13/Precisamos-falar-sobre-o-Kevin

http://www.psiquiatriageral.com.br/psicoterapia/melanie.html

http://mundodapsi.com/psicopatia-filmekevin/

http://www.psicosmica.com/2014/10/precisamos-falar-sobre-o-kevin.html


 
 
 

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