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Freud, o desenvolvimento psicossexual e o complexo de Édipo.

Universidade de Brasilia

Disciplina: Psicologia da personalidade 1 Turma B

Professora: Elisa Walleska Krüger Alves da Costa

Aluna: Beatriz Carvalho Silva Matricula: 15/0006331

Sigismund Schlomo Freud, mais conhecido como Sigmund Freud, foi um médico neurologista alemão que criou a psicanálise. Freud iniciou seus estudos utilizando a técnica da hipnose para tratar pacientes com histeria e a partir disso criou hipóteses que serviram de base para outros conceitos, como o do inconsciente, e para teorias mundialmente conhecidas, como a teoria dos mecanismos de defesa e da repressão psicológica. Ele acreditava que o desejo sexual era a energia motivacional primaria da vida humana, conhecida como libido. Na psicanálise freudiana, a sexualidade não se restringe à genitalidade, nem à finalidade de procriar. Além do fator somático, abrange um fator psíquico, daí o termo psicossexualidade. Dialeticamente, a pulsão sexual é parte integrante da constituição psíquica normal ou patológica do sujeito.

A formação psíquica de um individuo é constituída por três partes: o ID, o EGO e o SUPEREGO. O ID funciona sob o principio do prazer e é responsável pelas demandas mais primitivas e perversas. A maioria dos seus impulsos são de natureza sexual ou agressiva. Já o SUPEREGO são as proibições sociais que produzem angustia, ansiedade e castigam o EGO quando este aceita os impulsos vindos do ID. O EGO é a instancia na qual se inclui a consciência, é a alternância entre nossas necessidades primitivas e nossas crenças éticas e morais.

Durante seus estudos da psicanálise e do desenvolvimento sexual infantil, Freud criou a teoria do Complexo de Édipo. Esse termo foi criado inspirado na tragédia grega “Édipo rei” e é utilizado para designar o conjunto de desejos amorosos e hostis que a criança experimenta com relação aos seus progenitores durante a fase fálica do desenvolvimento psicossexual (entre 3 e 6 anos), quando ocorre também a formação da libido e do EGO.

O desenvolvimento psicossexual da criança se inicia logo após o nascimento. A primeira fase, que vai do nascimento ate cerca de um ano de idade, é chamada de fase oral. Nessa fase a criança tende a levar tudo à boca, pois é pela boca que ela inicia o vinculo afetivo com a mãe, através da amamentação e que ela entra em contato com o mundo. A segunda fase é a fase anal, que vai dos dois ate os quatro anos de idade, aproximadamente. Durante esse período a criança começa a ter controle sobre suas necessidades fisiológicas, e isso gera certo prazer para ela. Em seguida começa a fase fálica, que dura entre os 4 e os 6 anos de idade, aproximadamente. Nesse período, a atenção da criança volta-se para sua região genital, e elas começam a perceber diferenças anatômicas entre meninos e meninas. É durante essa fase que ocorre o complexo de Édipo. E por ultimo, vem a fase genital, que se inicia por volta dos 11 anos, nesse momento a criança volta a ter impulsos sexuais e começa a se relacionar e a buscar um amor com pessoas de fora do seu grupo familiar.

Durante a fase fálica, quando se inicia o complexo de Édipo, a criança passa a ter uma relação de amor e certo desejo pelo progenitor do sexo oposto e a manter uma relação de ódio e ciúme pelo progenitor do mesmo sexo. No caso dos meninos, esse amor é direcionado para a mãe, que é a mulher mais próxima que realiza suas vontades e necessidades e com a qual se formou um vinculo maior durante a fase oral por conta da amamentação, e o ódio é direcionado para o pai, que é quem dorme com a mãe e mantém com ela uma relação de amor diferente da relação de mãe e filho e que “compete” com o garoto pelo amor e pela atenção da mesma. Para facilitar a relação com a mãe, o ID da criança quer matar o pai e assim, ter total atenção e amor da mesma, mas o SUPEREGO pragmático, baseado no principio da realidade, sabe que o pai é o mais forte entre os homens que competem a “posse” da mulher, portanto, impedem a criança de agir pelos instintos do ID.

No caso das meninas, Carl Gustav Jung, discípulo de Freud, nomeou esse sentimento de “complexo de Electra”, baseando-se no mito grego de Electra. No caso das mulheres, o primeiro amor e o primeiro desejo sexual são voltados para o pai, que é a figura masculina mais forte na vida da criança, e o primeiro ódio e a primeira vontade de vingança são voltados para a mãe, que é quem mantém uma relação amorosa com o pai, despertando o ciúme da filha. Assim como ocorre com os meninos, as meninas também sentem uma vontade inconsciente de matar a mãe para ter total amor e atenção do pai. É importante ressaltar que todos esses sentimentos, tanto de ódio e vingança quanto de amor e desejo sexual, são inconscientes e devem ser resolvidos e superados naturalmente pelos mecanismos de defesa.

Em ambos os sexos, os mecanismos de defesa fornecem resoluções transitórias do conflito entre o ID e o SUPEREGO. O primeiro mecanismo é a repressão; bloquear memórias, impulsos emocionais e as ideias da mente consciente, porém, esse mecanismo não resolve o conflito ID-SUPEREGO, e por isso, existe um segundo mecanismo, o da identificação. Através dele a criança incorpora ao seu SUPEREGO as características de personalidade do progenitor de mesmo sexo, porque a sua semelhança com este diminui a ira do progenitor do sexo oposto. Ao final dessa fase a criança percebe que o amor e o ódio sentidos são proibidos e não são aceitos pelos princípios sociais éticos e morais. O complexo de Édipo é então finalizado com o surgimento do SUPEREGO, com a desistência deste amor e com a identificação da criança com o progenitor do mesmo sexo. Essa identificação ocorre em decorrência da necessidade de aceitação da criança pelo progenitor do sexo oposto, então ela absorve características do pai, por exemplo, para ser aceito pela mãe.

Esse comportamento é normal durante a fase fálica, mas não deve perdurar após a finalização da mesma. A mãe ou o pai não devem incentivar os filhos a manterem esses desejos convidando-os para dormir na cama do casal ou dando beijos na boca da criança, por exemplo. Em alguns casos, a mãe usa, de forma inconsciente, o amor e o desejo do filho para suprir alguma carência afetiva ou frustração sentimental, muitas vezes causadas por problemas conjugais.

As consequências do complexo de Édipo serão levadas para a toda a vida e irão refletir em futuras relações amorosas desses indivíduos. Se esse amor que a criança sente e expressa for duramente reprimido e punido, o amor e a sexualidade se transformarão em duas coisas completamente distintas, e com essa cisão os futuros relacionamentos desse individuo podem não satisfazê-lo nos dois sentidos. É importante que os desejos amorosos que a criança expressa em relação ao pai ou a mãe sejam, de certa forma, frustrados, mas mostrando que suas demonstrações de amor não são erradas ou vergonhosas e mostrar para a criança que o pai ou a mãe já tem um parceiro, nunca humilhando ou rejeitando a criança, reprimindo seu comportamento, para que assim os relacionamentos futuros tenham o amor e o desejo sexual caminhando sempre juntos de forma a satisfazer tanto os desejos sexuais quanto a necessidade de amor que todo ser humano possui.

Saber lidar com a sua própria sexualidade é extremamente importante no ponto de vista freudiano, pois se o indivíduo não sabe como agir em relação à si e à sua sexualidade, muito provavelmente não saberá entender os impulsos sexuais dos seus filhos. Geralmente os pais que não sabem lidar com a sexualidade dos filhos, não conhecem ou não sabem lidar com a sua própria sexualidade e muitas vezes, em decorrência disso, tem problemas nos seus relacionamentos conjugais. Por isso, é imprescindível que os pais saibam que esse comportamento é normal e não significa que a criança tenha pensamentos ou sentimentos eróticos em relação aos seus progenitores e não reprimam essas manifestações de amor por parte dos filhos, para que estes entendam que expressar amor e desejo nao é errado, porém, eles devem procurar parceiros fora do ambiente familiar.

“Seu destino nos move apenas porque poderia ter sido o nosso - porque o oráculo lançou a mesma maldição sobre nós antes do nosso nascimento, como sobre ele. É o destino de todos nós, talvez, dirigir nosso primeiro impulso sexual para nossa mãe e nosso primeiro ódio e nosso primeiro desejo assassino contra nosso pai. Nossos sonhos nos convencem de que isso é assim.”

FREUD, Sigmund.

Referências bibliográficas:

-ÉDIPO, complexo de <https://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_de_%C3%89dipo>

-FREUD, Sigmund, Modelo psicossexual

<https://pt.wikipedia.org/wiki/Sigmund_Freud#Cr.C3.ADtica_ao_modelo_psicossexual>

- https://pt.wikipedia.org/wiki/Complexo_de_Electra

-VEIGA, Claudia, Desenvolvimento psicossexual segundo Freud

<http://pt.slideshare.net/veigaclaudia13/desenvolvimento-psicossexual-segundo-freud>

- http://www.terapiaemdia.com.br/?p=226

-ÉDIPO, Complexo de, Psicanálise < http://www.psicanalise.psc.br/complexedipo.htm>

- Slides aula psicologia da personalidade


 
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