Construção de Gênero e a Psicologia Humanista
- Ana Beatriz Alves Ferraz
- 4 de nov. de 2015
- 3 min de leitura
Universidade de Brasília
Disciplina: Psicologia da Personalidade Turma: B
Professora: Elisa Walleska Krüger Costa
Aluno: Ana Beatriz Alves Ferraz Matrícula: 14/0129201
A identidade de gênero, expressão de gênero e sexo biológico durante muito tempo foram termos pouco diferenciados uns dos outros. A orientação afetiva-sexual, apesar de já ser um termo mais independente dos anteriores também não era explorada, uma vez que só o padrão heterossexual era considerado normal e qualquer desvio desse conceito, um distúrbio. Atualmente, apesar de já se entender a diferença entre os termos, divergências do padrão heteronormativo ainda não são bem aceitas.
Expressão de gênero é a maneira como o indivíduo demonstra o seu gênero, na forma de agir, vestir e interagir; o gênero é expresso como feminino ou masculino, passando pela androginia. Tal espectro exclui os chamados gêneros não binários. Identidade de gênero é como o individuo pensa a respeito de si mesmo, a identidade é pensada como mulher ou homem, classificando os transgêneros como uma espécie de intermediário. Sexo biológico refere-se a características como órgão, hormônios e cromossomos; o sexo caracteriza-se como fêmea ou macho, com os indivíduos hermafroditos como intermediários. Orientação afetiva-sexual refere-se a quem o indivíduo é fisicamente e emocionalmente atraído, as orientações sexuais identificadas seriam heterossexualidade, bissexualidade e homossexualidade. Tal espectro não considera a assexualidade como uma orientação sexual.
Como pode-se observar, mesmos nas definições básicas atuais desses termos, ainda encontramos muitas limitações e determinismos. Continua-se tentando encaixar os indivíduos na binaridade homem ou mulher, masculino ou feminimo, ignorando qualquer possível fluidez, neutralidade, ambiguidade ou multiplicidade. Os “meios termos” são encarados, muitas vezes, como uma passagem de um extremo ao outro dos espectros e não como uma área possível de vivência.
Na psicologia, a construção de gênero também é, sumariamente, encarada de forma binária, até mesmo pelo contexto em que os estudos foram feitos e os termos criados, em que o pensamento vigente não permitia a livre expressão dessas diferenças e, portanto, sua compreensão era muito mais difícil, já que não podiam ser realizados estudos aprofundados.
Com o surgimento da Psicologia Humanista e sua abordagem centrada no cliente, desenvolvida por Carl Rogers, os pressupostos e princípios básicos firmados por esse viés e a interação destes deram abertura para uma expressão mais livre das características de gênero e de forma mais independente umas das outras. Os princípios são de congruência (ser o que se sente), empatia (capacidade de se colocar no lugar do outro) e consideração positiva incondicional (receber e aceitar o outro como ele é). Já os pressupostos são: o indivíduo é mais do que a soma de suas partes tomadas individualmente; ele vive em relações interpessoais; ele é um ser consciente e pode desenvolver sua percepção; ele pode decidir-se; ele comporta-se de maneira intencional.
Para Rogers, a capacidade do indivíduo de modificar-se consciente e racionalmente seus pensamentos e comportamentos fornece a base para a formação de sua personalidade. Os indivíduos bem ajustados psicologicamente tem autoconceitos realistas e a angústia psicológica é advinda da desarmonia entre o autoconceito real (o que se é de fato) e o ideal para si (o que se deseja ser). Sendo assim, nessa teoria, o distúrbio está no indivíduo não conseguir expressar o que ele realmente é ou se sente.
Podemos observar tal ponto também sob a ótica da pirâmide hierárquica de necessidades proposta por Maslow. Na base, onde se encontram as necessidades fisiológicas, começa a construção do gênero. A sociedade impõe um gênero baseado nos genitais do indivíduo e somente quando o indivíduo estiver em harmonia com essa primeira etapa de sua construção de gênero suas necessidades fisiológicas estarão verdadeiramente supridas. Assim, um indivíduo que não é cisgênero precisa primeiro compreender-se além do seu órgão genital para então buscar a harmonização do que se sente e do que se é. A cada etapa do tronco da pirâmide a construção individual do gênero se aprimora, sendo que os indivíduos que diferem do padrão socialmente imposto encontram mais obstáculos para chegar ao ápice de sua autorrealização.
Trabalhando os conceitos de forma prática, a Psicologia Humanista foi a primeira a dar liberdade ao indivíduo de construir seu gênero de acordo com o que ele decide e descobre sobre si e cobrar dos outros o respeito e a aceitação ao invés de perpetuar uma imposição do socialmente considerado normal, deixando de considerar os diferentes como indivíduos com distúrbio e sim apenas como indivíduos livres em sua expressão.
Referências:
http://www.mundoeducacao.com/psicologia/maslow-as-necessidades-humanas.htm
http://www.infoescola.com/psicologia/psicologia-humanista/
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Abordagem_centrada_na_pessoa
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Psicologia_humanista
https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Carl_Rogers
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