Beth Thomas - Teoria Melanie Klein
- psicologiapersonal1
- 4 de nov. de 2015
- 4 min de leitura
Universidade de Brasília
Disciplina: Psicologia da Personalidade Turma: B
Professora: Elisa Walleska Krüger Costa
Aluno: Melina Dutra Fernandes Matrícula: 12/0038676
Beth Thomas ficou mundialmente famosa através de um documentário chocante chamado “Child of Rage”. Que mostra Beth ainda tão pequena relatando atos perversos que fez e que gostaria de fazer com seus pais adotivos e com seu irmão.
O casal Nancy e Tim Thomas não podia ter filhos e, em 1984, resolve realizar esse sonho adotando as duas crianças.
Já nos primeiros dias no novo lar, a menina Beth não aparenta estar feliz. É uma menina introvertida e irritadiça e nada parece agradá-la. A menina começa a se demonstrar violenta conforme os meses passam e uma série de eventos faz sua nova família ficar assustada.
Beth perfurava o cachorro da família com agulhas, perfurava o irmão mais novo, molestava o irmão, matou filhotes de pássaros e falava que sua vontade era esfaquear seus pais. Ela apresentava um alto grau de violência, hostilidade e um comportamento inadequado com as pessoas ao seu redor.

Esse documentário ganhou grande repercussão nomeando Beth “a pequena psicopata”, mas o que é um psicopata? Segundo o dicionário virtual, psicopata é um indivíduo clinicamente perverso, que tem personalidade psicopática, com distúrbios mentais graves.
Um psicopata é uma pessoa que sofre um distúrbio psíquico, uma psicopatia que afeta a sua forma de interação social, muitas vezes se comportando de forma irregular e anti-social. Em sentido mais amplo, uma psicopatia é uma doença causada por uma anomalia orgânica no cérebro. Em sentido restrito, é um sinônimo de psicose (doença mental de origem neurológica ou psicológica).
Mas esse não é o caso de Beth, seus pais sem saber como lidar com a situação, procuraram ajuda médica e ela passou a ter acompanhamento psicológico e psiquiátrico.
Com o tratamento, foi se achando justificativas para as atitudes da menina e seus pais adotivos passaram a conhecer o passado de Beth que nem eles conheciam.
Eles descobrem, então, que a mãe das crianças havia falecido durante o parto de Jonathan (seu irmão mais novo) e que eles foram morar apenas com o pai. O pai abusava sexualmente de seus filhos: do bebê de meses de vida e de Beth, então com um ano. Diz-se que os abusos perduraram por sete meses, até que o homem foi preso, então, e as crianças foram para o orfanato.

Como assim Beth é uma psicopata?
Uma criança que antes mesmo de um ano de idade sofreu constantes abusos sexuais do seu próprio pai. Perdeu o colo e o carinho materno tão cedo, conheceu apenas a dor, não se admira que ela não consiga confiar nas pessoas e queira causar no outro a dor que causaram nela.
Segundo a teoria de Melanie Klein, desde o momento do nascimento, o ego tenta preservar uma visão de si mesmo como apenas uma fonte de prazer e sentimentos positivos; tensão e desprazer são projetados sobre objetos que são então vistos como persecutórios. O bebê fica grato quando é física ou emocionalmente saciado. Esta gratidão, a manifestação mais precoce do instinto de vida é a base do amor e da generosidade. Libido é investida em objetos como o seio. O seio gratificante é então introjetado como a base para um sentimento do self como bom. A projeção do objeto interno bom sobre objetos recém-experimentados é a base da confiança, o que torna a aprendizagem e o acúmulo de conhecimento possíveis.
Beth passou por grandes traumas ainda na primeira fase de vida, onde muitos estudiosos dizem ser de 0 a 1 ano de idade. E traumas nessa fase podem gerar grandes problemas futuros e um grande dano na formação da personalidade do indivíduo, Klein denomina:
Posições esquizo-paranóide e depressiva: O termo "posição” foi preferido por Klein em relação a "estágio" porque ele enfatiza o efeito do ponto de vista da criança sobre suas relações de objeto. A posição paranóide-esquizóide e a posição depressiva ocorrem na primeira e segunda metade, respectivamente, do primeiro ano de vida. Elas também podem ocorrer em diversos momentos na vida como constelações defensivas e estão envolvidas em conflitos relacionados a todos os níveis psicossexuais.
Os medos persecutórios são impulsos oral-sádicos e anal-sádicos projetados. Se eles não são superintensos, a posição esquizo-paranóide dá lugar, nos segundos seis meses de vida, à posição depressiva. Se, no entanto, a agressão inata é abertamente forte e se maus introjetos predominam, a dissociação secundária dos maus introjetos pode levar a projeção sobre muitos objetos externos, resultando em muitos perseguidores externos. A dissociação pode persistir e fragmentar experiências afetivas, levando a despersonalização ou superficialidade afetiva.
Foi o que aconteceu com Beth. Klein diz que, muitos tipos de psicopatologia severa são atribuídos à fixação em uma das duas posições kleinianas. A fixação na posição esquizo-paranóide conduz a alguns transtornos psicóticos. Os transtornos psicóticos em geral negam a realidade, usam projeção extensamente e engajam-se em dissociação. E a fixação na posição depressiva vem o luto patológico (depressão) ou o desenvolvimento excessivo de defesas maníacas.
O caso de Beth chamou atenção pela perversidade de seus atos, mas isso não a denomina uma psicopata e tão pouco uma pessoa que não tem “cura”. Ela passou anos em tratamento e com o decorrer do tempo passou a estabelecer confiança, empatia, atos de carinho e amor. Bem diferente das atitudes anteriores, Beth passou a sentir culpa por ter machucado as pessoas e agora ela pode “reparar” o que fez.
Segundo Klein, normalmente, os mecanismos de reparação, aumentados pela testagem de realidade, aceitação de ambivalência, gratidão e luto capacitam a criança a resolver o período depressivo. A reparação, o antecedente da sublimação, é um esforço saudável para reduzir culpa em relação a ter atacado o objeto bom tentando reparar o dano, expressando amor e gratidão e assim, preservando-o.
Segundo a internet, Beth fez licenciatura em enfermagem e é autora do livro “Mais do que uma linha de esperança”, ela e sua mãe adotiva Nancy Thomas criaram uma clínica para crianças com distúrbios graves de comportamento.
Pessoas agredidas tendem a agredir, se os pais de Beth não tivessem dado o amparo que ela merecia, tivessem a devolvido ao orfanato ou a colocado na rua, não se sabe o que de pior ela poderia ter feito; matado pessoas, cometido atos de abuso, entre outros.
Bibliografia
Disponível em: http://www.psiquiatriageral.com.br/psicoterapia/melanie.html. Acessado em 24/10/2015 às 16:00 horas.
Disponível em: https://www.significadosbr.com.br/psicopata. Acessado em 25/10/2015 às 14:00 horas.
Disponível em: http://www.ultracurioso.com.br/crianca-psicopata-conheca-a-assustadora-historia-de-beth-thomas/. Acessado em 25/10/2015 às 14:30 horas.
Disponível em: http://www.apsicanalise.com/index.php/blog-psicanalise/blog-psicanalise/item/166-melanie-klein. Acessado em 27/10/2015 às 15:00 horas.
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