Alfred Adler e o complexo de inferioridade
Universidade de Brasília
Disciplina: Psicologia da Personalidade Turma: E
Professora: Elisa Walleska Krüger Costa
Aluno: Júlia Moura Orsini Matrícula: 14/0169164

Em contraste com a psicanálise de Freud, a psicologia individual fez a ênfase na importância da vontade consciente e da capacidade de cada indivíduo para se encarregar de seu próprio destino. Alfred Adler compreende o comportamento em termos de contexto (ambiente físico e social), onde o indivíduo está integrado ao social e vê o indivíduo como uma entidade unificada e coerente.
De acordo com a teoria Adleriana, o que determina o nosso comportamento não é o mundo real, mas a nossa concepção do mundo. Os seres humanos moldam as suas próprias personalidades e não se limitam a ser impotentes e governados por forças externas.
A busca pela perfeição como fator motivacional humano é um dos pontos enfatizados por Adler. Essa busca se expressa por diferentes mecanismos: a relação e a adaptação social; a preocupação do indivíduo em alcançar objetivos preestabelecidos; a luta pela superioridade (incluindo voracidade pelo poder e pela notoriedade) e a agressividade (em particular frente à frustração), que seria o instinto primário aos quais todos os demais estariam subordinados.
Adler fundamenta-se na observação segundo a qual uma inferioridade orgânica é compensada, seja pela utilização de outro órgão, seja por um esforço particular imposto ao órgão deficiente. A inferioridade orgânica também suscita reações psíquicas sob a forma de fantasias compensatórias. Num outro momento, Adler amplia a noção de inferioridade, assegurando que o sentimento de inferioridade existe em todas as pessoas e que possui sua fonte na infância no momento em que o indivíduo se sente pequeno e fraco diante do adulto.
O ser humano apresenta esta característica essencial: é a entidade mais frágil do reino animal, quando nasce; a mais delicada, a menos apta para a sobrevivência. Um potrinho, assim que se desembaraça da placenta, já pode dar alguns saltos desajeitados; para um gatinho, são necessários apenas alguns dias para que abra os olhos e são necessárias apenas algumas semanas para que o pequeno pássaro possa voar só. O recém-nascido humano vem ao mundo num estado de insuficiência que lhe seria catastrófico se não tivesse uma família para olhar por ele.... Assim, a criança que toma, pouco a pouco, ao longe de todos esses anos de sua formação, consciência de si mesma, considera-se a princípio como algo inferior, menor.
(VALINIEFF, 1971)
Segundo Adler o sentimento de inferioridade faz nascer um desejo compensatório de superioridade, de dominação e de poder que pode conduzir a alguma forma de sucesso pessoal, ou traduzir-se em desejos irrealistas e na busca de objetivos irrealizáveis que caracterizam a neurose. Se a criança sentir grande dificuldade de impor ao mundo exterior seu verdadeiro ego, seu desejo natural de poder transformar-se-á em obsessão. Isto se observa nos casos de compensação. O desejo de superioridade, então, torna-se doentio.
O domínio e o poder, estando nas mãos dos homens em nossa civilização, e a inferioridade do lado da mulher, o desejo de poder em um e outro sexo equivalem a um esforço para alcançar uma posição idealmente masculina. Alfred Adler denomina este esforço de ‘protesto viril’ que existe, sobretudo nas mulheres, mas que se encontra em todos os indivíduos que, sentindo-se numa posição inferior, se esforça para sair dela:
Mas, de uma pequenez a criança tomará uma força: é um desejo quase imediato de afirmar-se em relação ao mundo. O fim de toda a existência humana está, pois, comandado por uma “sede de poder” destinada a procurar a superioridade sobre o meio ambiente
(VALINIEFF,1972)
Para Adler é a vontade de poder que é a força motora de toda ação humana, e não a sexualidade, e é esta mesma vontade de poder que é a causa das neuroses, pois, o próprio ato sexual para ser motivado, não nasce da excitação sexual, mas de uma procura de superioridade sobre o parceiro. O complexo de Édipo não é questionado por Adler, todavia, é reinterpretada consoante a perspectiva da vontade de poder. A criança visa submeter-se à mãe e subtrair-se à dominação do pai, para por sua vez dominá-lo. No decorrer da adolescência e na idade adulta do complexo de Édipo constitui um refúgio para o indivíduo, pois o tal se fixa a essa situação para evitar confrontos mais difíceis.
Os diferentes conceitos expostos até aqui, conduzem a uma atitude e a um método terapêutico distintos daqueles observados na psicanálise freudiana. A busca das causas iniciais da neurose é abandonada, a qual se define por uma busca de metas inadaptadas e é na correção dessas metas que reside ação terapêutica. Portanto, o foco é na ação educativa e reeducativa, a qual não procura entrar nas profundezas do inconsciente e pretende ser de curta duração. Alfred Adler deu à sua própria teoria o nome de psicologia individual.
Fontes:
http://alfredadler.blogspot.com.br/
http://www.psiquiatriageral.com.br/psicoterapia/alfred.htm
http://teoriapsicanalitica.blogspot.com.br/2012/07/alfred-adler-e-o-complexo-de.html
http://spagnuolopsicanalise.blogspot.com.br/2010/08/teoria-psicanalitica-de-alfred-adler.html