top of page
Buscar

Quem manda em quem?

  • psicologiapersonal1
  • 26 de out. de 2015
  • 5 min de leitura

Universidade de Brasília

Disciplina: Psicologia da Personalidade Turma: A

Professora: Elisa Walleska Krüger Costa

Aluno: Rayssa Arianne Morais de Araújo Matrícula: 12/0134012

Burrhus Frederic Skinner, um psicólogo norte-americano nascido em 1904, crescido em um ambiente de disciplina bastante rígida, teve sua vida escolar conturbada. Apesar disso, possuía interesses em poesia e na filosofia em sua adolescência, antes de mergulhar no universo da psicologia, mais especificamente na psicologia comportamental. Com seus estudos, ele apresenta a ideia do homem como um ser passível de influências externas e que o mesmo era construído a partir de determinações de outros indivíduos, do ambiente em que se encontra. É interessante notar que esse debate sobre os efeitos que a sociedade produz sobre as atitudes de cada indivíduo sempre existiu. O meio social tem um poder influenciável fundamental na vida de cada um. Podemos observar isso em grupos sociais, quando o indivíduo está dentro de um certo grupo e há uma organização a partir de "regras" para que haja o convívio de todos com ordem, harmonia. Digamos, um ambiente controlado e com ações previsíveis capazes de receber recompensas e punições por seus atos. Skinner faz parte de um grupo de psicólogos comportamentais. Ele foi um dos principais psicólogos que representou o behaviorismo, corrente que teve grande influência nos estudos sociais e na prática da psicologia até os anos 1950, e a sua teoria perdurou por um bom tempo. Sua maior influência foi John B. Watson, formulador das estritas exigências metodológicas, fundador do movimento behaviorista que é o estudo da relação do homem com o seu ambiente, do comportamento e da consequência, do estímulo e da resposta. Seu intuito, segundo ele, não era manipular os humanos e sim, compreender seu comportamento a uma série de estímulos provocados a ele.

Inicialmente, as teorias foram testadas em animais dentro de laboratórios, onde o ambiente e os fatores externos podiam ser controlados e as consequências analisadas mais precisamente. O primeiro a fazer esses testes foi Watson. Um ratinho faminto era colocado em um local privado de comida. Todas as vezes, ao colocar alimento dentro desse local privado, uma caixa, tocava-se uma campainha provocando um barulho e o ratinho entendia que podia comer ao ver a comida ao seu alcance. Aos poucos, o animal foi condicionado a salivar ao escutar o barulho da campainha, entendendo que teria a comida logo em seguida. Skinner chamava esse comportamento do organismo começar a produzir saliva devido a associação de condicionamento operante, onde o ambiente é modificado e produz consequências que agem sobre o objeto novamente, alterando a probabilidade de ocorrência desse ato futuramente de forma semelhante.

Certa vez, quando tocou-se a campainha, não foi colocado o alimento dentro da caixa, porém, pode-se observar que o organismo do ratinho produzia uma resposta ao estímulo e salivava da mesma forma que salivaria se estivesse sentindo o cheiro ou vendo a comida que deveria aparecer logo após o barulho. Isso comprovava o que Skinner acreditava, de que “Os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez, são modificados pelas consequências de sua ação” dito por ele em 1978 e que o ratinho já se encontrava dentro de um condicionamento operante.

Mas como isso poderia ser observado em humanos? Através do conceito de homem operante. Conceito esse ligado a fisiologia do organismo, independente se for animal ou humano, onde é aquela que não está correlacionada com nenhum estímulo, são movimentos já natos e espontâneos do próprio corpo. Eles podem ser denominados como operantes graças ao fato de operar ou atuar sobre o ambiente externo sem serem necessariamente provocadas intencionalmente. As observações de Skinner poderiam ser aplicadas em métodos de aprendizagem, por exemplo, e foi inclusive um dos temas centrais de suas preocupações e estudos juntamente com a linguagem.

Lendo alguns textos sobre suas teorias, encontrei que Skinner considerava o sistema escolar um fracasso pois cobrava dos alunos a presença obrigatória sob pena de punição. Isso ia contra o que ele pensava, já que acreditava nos métodos de reforços através de razões positivas para estimular um aluno a estudar, nesse caso. Para testar todas esses pensamentos, Skinner criou um experimento e o chamou de “Caixa de Skinner”. Ele era ligado a modelagem de aprendizado de alunos e foi considerada uma das primeiras abordagens adotadas no uso do computador aplicado à educação, prevalecendo até hoje em dia em alguns softwares, em métodos como tutoriais, por exemplo. Skinner criou o método de ensino programado, ensino onde poderia ser praticado sem a intervenção direta do professor através de livros, apostilas ou máquinas. A matéria a ser aprendida pelos alunos é apresentada em pequenas partes; estas possuem uma atividade a ser feito em seguida cujo acerto ou erro é imediatamente verificado e corrigido caso fosse preciso. O estudo é individual, mas com auxílio constante do professor, sendo assim , em tese, o aluno progride em sua própria velocidade. Em síntese, a instrução programada leva o aluno ao conhecimento e ao aprendizado. O método não é muito diferente do que é aplicado ao ensino nos dias atuais, mas será que realmente é eficaz e capaz de ser controlado da forma que Skinner gostaria e planejava? Mesmo assim, ele é visto como visionário na concepção de ensino se olharmos para os teóricos e pensadores daquela época em que ele se encontrava.

Um bom exemplo de como tudo isso poderia ser adequadamente observado seria, por exemplo, quando uma criança está em fase de crescimento e começando a ter as noções de certo e errado ao fazer algo movido pela curiosidade. Uma vez, uma criança brincando na sala de estar de sua casa notou a presença de grandes armários perto dela. Curiosa como toda criança, resolveu xeretar e abrí-los para olhar o que tinha guardado ali dentro. Viu um mundo inteiro de cor na frente dos seus olhos quando de repente, avistou um jarro de aspecto antigo roxo e rosa. Com o interesse, quis mostrar a sua mãe, mas o deixou escorregar sem querer e o grande jarro se estilhaçou no chão. A mãe, ao ouvir o barulho, veio desesperada ao encontro da criança e vendo a bagunça, colocou-a de castigo sem videogame, algo que ela gostava muito de brincar. Assim, a criança começa a criar conceitos de como deve se comportar em devidas situações, noções de certo e errado e nesse caso, aprendeu que não deveria mexer no armário de sua mãe, graças a punição recebida após o ato. Esse estímulo reforça a possibilidade de não ocorrência dessa mesma situação novamente. Então, ao crescermos, conseguimos nos ambientar tendo noção do que nos cerca e de como devemos nos portar em resposta ao que o ambiente nos oferece somente com o conhecimento adquirido ao longo da vida de que poderá haver consequências ou ganhos a partir de devidas ações, identificando aqui possibilidade de se estar construindo o homem consciente. É a relação da ação e reação a partir de um estímulo e todos aqueles pontos inicialmente citados que interessava aos estudos de Skinner. De acordo com algumas referências, Skinner ficou tão obcecado com isso de observar o comportamento animal que quando nasce sua filha, criou um berço climatizado, que na época, fez com que acreditassem que aplicava nela as mesmas experiências feitas com os ratos e os pombos.

Pense só: Se não existisse a punição, nem a recompensa... Até onde iriamos? Até onde o ambiente e os outros lidariam com a gente? Seria muito chato se atuássemos somente de um lado, sem resposta ou reação alguma ao que fazemos, não é? Não é, gente?

Referências

FERRARI, Marcio. B. F. Skinner, o cientista do comportamento e do aprendizado.Disponível em: <http://revistaescola.abril.com.br/formacao/skinner-428143.shtml?page=3>. Acesso em: 23 de Outubro de 2015.

Teoria de Aprendizagem . Disponível em: <http://www.uniriotec.br/~pimentel/disciplinas/ie2/infoeduc/aprbehaviorismoskinner.html>. Acesso em 24 de Outubro de 2015.

Skinner e o Behaviorismo. 6 de Junho de 2011. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=RgFUKDeCFjk> Acesso em: 24 de Outubro de 2015.

Contribuições de Skinner para a educação. 18 de Agosto de 2011. Disponível em: <http://teorizaravivenciaeducativa.blogspot.com.br/2011/08/skinner.html>.

A importância de Skinner para a Educação. Disponível em: <http://formacaodeprofessoresrj.blogspot.com.br/2013/06/a-importancia-de-skinner-para-educacao.html>.

ARAÚJO, Felipe. B. F. Skinner e o Behaviorismo. Disponível em: < http://www.infoescola.com/psicologia/b-f-skinner-e-o-behaviorismo/> Acesso em 25 de Outubro de 2015.


 
 
 

Posts recentes

Ver tudo
Destaque
Tags

© 2023 por Amante de Livros. Orgulhosamente criado com Wix.com

  • Facebook B&W
  • Twitter B&W
  • Google+ B&W
bottom of page